31 de julho de 2025
rastreamento global

Butantan e instituições internacionais criam novo sistema para classificar variantes da dengue

Nomenclatura mais precisa implementada desde setembro visa melhorar o rastreamento global do vírus e pode ajudar no desenvolvimento de vacinas contra a doença

Por Redação
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Objetivo da nova nomenclatura é facilitar a vigilância das mutações que podem ocorrer com o vírus - Foto: Agência Brasil

Um consórcio internacional de pesquisadores liderado pelo Instituto Butantan estabeleceu uma nova nomenclatura para as linhagens do vírus da dengue, criando um sistema mais detalhado que já está em uso desde setembro de 2024. Desenvolvido em parceria com 23 instituições - incluindo universidades como Yale e Oxford, além da Fiocruz - o modelo busca aprimorar a vigilância genômica do vírus em escala global, facilitando a identificação de linhagens com potencial risco epidemiológico.

De acordo com Alex Ranieri, bioinformata do Butantan, a adoção do novo sistema não depende de aprovação formal da Organização Mundial da Saúde (OMS), por ter sido construído de forma consensual entre instituições de referência. "Espera-se que a OMS e redes regionais de vigilância passem a utilizá-lo como referência", afirmou o pesquisador, destacando que o padrão segue o mesmo caminho de sistemas adotados para outros vírus.

A nova classificação estabelece dois níveis hierárquicos abaixo dos genótipos: as linhagens maiores (indicadas por letras) e as linhagens menores (representadas por números). Um vírus que antes era classificado simplesmente como DENV-3, genótipo III, agora pode ser identificado como DENV-3III_C.2 - especificando sorotipo, genótipo, linhagem maior e linhagem menor. Essa precisão permite rastrear com exatidão a circulação de diferentes variantes virais.

A sistemática pode ter impacto direto nas estratégias de controle da doença. "Se uma linhagem restrita a um continente surgisse em outro local, isso indicaria nova rota de introdução, permitindo resposta rápida das autoridades sanitárias", explicou Ranieri. O sistema também pode influenciar indiretamente a vacinação, pois permite detectar mutações com potencial de escape imunológico e avaliar seu impacto na eficácia das vacinas.

A implementação da nova nomenclatura ocorre em um contexto de elevada transmissão da dengue globalmente. Em 2024, países com circulação dos quatro sorotipos notificaram mais de 13 milhões de casos, sendo o Brasil o mais afetado com 10,2 milhões de infecções, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde. A pesquisa que detalha o novo sistema de classificação foi publicada na revista científica PLOS Biology.