31 de julho de 2025
Estudo

Brasil lidera disseminação de desinformação sobre vacinas na América Latina

O Ministério da Saúde reforça que a propagação de fake news é um dos maiores obstáculos para a adesão às campanhas de imunização

Por Redação
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O Ministério da Saúde alerta que essas informações são falsas e perigosas - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (17), Dia Nacional da Vacinação, revelou que o Brasil é o principal disseminador de desinformação sobre vacinas na América Latina. Segundo o estudo, o país concentra 40% de todo o conteúdo antivacina que circula na rede social Telegram.

Intitulado Desinformação Antivacina na América Latina e no Caribe, o estudo analisou 81 milhões de mensagens postadas em 1.785 grupos conspiratórios no Telegram entre 2016 e 2025, em 18 países da região. Foram identificadas 175 alegações falsas de danos atribuídos às vacinas e 89 supostos antídotos que circulavam como neutralizadores dos efeitos das imunizações.

Elaborado pelo Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DesinfoPop/FGV), o levantamento mostra que o Brasil lidera em volume de mensagens falsas e usuários ativos, respondendo por mais de 580 mil conteúdos com desinformação sobre vacinação.

Para o coordenador do estudo, Ergon Cugler, o Brasil está na liderança devido à ausência de uma regulação eficaz do ambiente digital. “Temos um ambiente digital pouco regulado, onde plataformas lucram com o engajamento baseado no medo. Além disso, uma sociedade polarizada cria um terreno fértil para discursos conspiratórios”, declarou à Agência Brasil.

Outros países com alta circulação de desinformação incluem Colômbia (125,8 mil mensagens falsas), Peru (113 mil) e Chile (100 mil).

Entre as fake news mais comuns, estavam afirmações de que a vacina causa morte súbita (15,7% das mensagens), altera o DNA (8,2%), provoca Aids (4,3%), envenenamento (4,1%) ou câncer (2,9%).

Também circulavam falsos “antídotos” que misturavam pseudociência, espiritualidade e consumo, como ficar descalço para limpar as energias (2,2% das mensagens) ou tomar dióxido de cloro (1,5%).

O Ministério da Saúde alerta que essas informações são falsas e perigosas. O dióxido de cloro, por exemplo, é um saneante usado para limpeza, não para consumo, e pode causar graves riscos à saúde, incluindo a morte.

Cugler destaca que a desinformação se transformou em um mercado lucrativo que explora o medo para vender produtos e terapias sem base científica. “O antivacinismo funciona como um funil de vendas: primeiro espalha medo com informações falsas, depois oferece ‘curas’ milagrosas. Usam jargões científicos para parecer sérios, mas sem embasamento real. O objetivo é semear dúvida e minar a confiança na ciência.”

O estudo mostrou que o volume de postagens antivacina disparou durante a pandemia de covid-19, crescendo 689 vezes entre 2019 e 2021, passando de 794 para 547.389 mensagens. Embora tenha caído após esse pico, o nível atual ainda é 122 vezes maior do que o de 2019, com cerca de 97 mil postagens até setembro de 2025.

Para combater a desinformação, o pesquisador recomenda que as pessoas desconfiem de conteúdos que apelam para o medo ou emoção e verifiquem as fontes, preferindo instituições científicas, órgãos de saúde pública e jornalismo profissional. “Vacina é uma conquista coletiva e não um risco individual”, enfatizou.

O Ministério da Saúde reforça que a propagação de fake news é um dos maiores obstáculos para a adesão às campanhas de imunização. Para enfrentar isso, lançou o programa Saúde com Ciência, que oferece informações confiáveis sobre vacinação e combate à desinformação.

O site do programa também orienta como denunciar notícias falsas nas plataformas digitais, ajudando a reduzir sua circulação.