31 de julho de 2025
outubro rosa

Disponibilidade limitada de mamógrafos é barreira para o combate ao câncer de mama no Brasil

Relatório do Colégio Brasileiro de Radiologia mostra que Brasil tem cobertura de apenas 24% nas mamografias, muito abaixo dos 70% recomendados pela OMS

Por Redação
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País tem 6.826 equipamentos registrados, sendo 96% em funcionamento - Foto: José Cruz/Agência Brasil

Um relatório divulgado durante o Outubro Rosa revela as profundas desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce do câncer de mama no Brasil. Dados do Atlas da Radiologia no Brasil, estudo do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), mostram que o Sistema Único de Saúde (SUS) possui apenas 2,13 mamógrafos para cada 100 mil habitantes, número três vezes menor que o disponível na saúde suplementar, que conta com 6,54 aparelhos para o mesmo grupo. Essa disparidade ocorre mesmo com o SUS sendo responsável por atender 75% da população brasileira.

As desigualdades se acentuam quando observadas regionalmente. Enquanto a Paraíba lidera o ranking com 4,32 mamógrafos por 100 mil habitantes no SUS, seguida pelo Distrito Federal (4,26) e Rio de Janeiro (3,93), estados como Roraima (1,53), Ceará (2,23) e Pará (2,25) apresentam as piores proporções. O caso mais extremo vem do Acre, onde a rede privada oferece 35,38 mamógrafos por 100 mil habitantes contra apenas 0,84 na rede pública.

De acordo com a dra. Ivie Braga de Paula, coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia do CBR, o problema não está apenas na quantidade de equipamentos - todos os estados teriam aparelhos suficientes - mas em graves gargalos de acesso. "Há problemas de informação, de comunicação, de acesso e logística, principalmente na Região Norte. Às vezes, a população ribeirinha tem que andar seis a sete horas de barco para fazer uma mamografia. Até nos grandes centros, as pacientes da periferia não têm informação suficiente", explica a especialista.

O resultado dessa combinação de fatores é uma cobertura muito baixa de mamografias no país: apenas 24%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Mesmo em São Paulo, estado com a maior concentração de mamógrafos, a taxa não passa de 26%. A detecção precoce através do exame de imagem é crucial - tumores menores de 1 cm detectados na mamografia têm 95% de chance de cura em cinco anos.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde ampliou recentemente as diretrizes de rastreamento, recomendando mamografias para mulheres entre 40 e 49 anos mesmo sem sintomas, em um país onde mais de 73 mil mulheres recebem diagnóstico de câncer de mama anualmente.