Homem intoxicado por metanol após consumir vodca adulterada recebe vodca russa como antídoto, em SP
Após ele ser internado com dores abdominais, confusão mental e falta de ar, os médicos optaram por usar etanol como alternativa ao antídoto indisponível
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Um comerciante de 55 anos intoxicado por metanol após consumir uma dose de vodca adulterada recebeu alta hospitalar após duas semanas internado em São Paulo. Cláudio Crespi foi intoxicado no final de setembro em um bar de Guarulhos (SP) e, na falta do antídoto oficial, fomepizol, parte do seu tratamento incluiu a administração de vodca russa por sonda para conter os efeitos tóxicos no organismo.
A intoxicação levou Cláudio a perder cerca de 90% da função renal e parte da visão, embora ele já consiga andar e falar normalmente. Após ser internado com dores abdominais, confusão mental e falta de ar, os médicos optaram por usar etanol como alternativa ao antídoto indisponível. A sobrinha do paciente, a advogada Camila Crespi, conseguiu uma garrafa de vodca russa com 40% de teor alcoólico, que foi administrada durante quatro dias, enquanto ele estava em coma induzido.
De acordo com o médico Ademar Simões, coordenador da Emergência do Hospital Mater Dei Salvador, o etanol presente em bebidas como a vodca faz com que o fígado priorize metabolizá-lo, retardando a conversão do metanol em substâncias tóxicas. Isso permite que parte do veneno seja eliminado pela urina, ganhando tempo para outros tratamentos, como hemodiálise.
O estado de São Paulo registrou, até o momento, cinco mortes e 25 casos confirmados de intoxicação por metanol, com outros 160 em investigação. Na última quinta-feira (9), cerca de 300 unidades do antídoto fomepizol chegaram ao estado. Diferentemente do etanol, que age como "distração" hepática, o fomepizol bloqueia diretamente a enzima que transforma o metanol em ácido fórmico, responsável por danos ao nervo óptico e ao sistema nervoso.
Especialistas alertam que os primeiros sintomas de intoxicação por metanol incluem náuseas, vômito, dor abdominal e mal-estar, semelhantes a uma ressaca intensa. Em estágios avançados, podem ocorrer alterações visuais, confusão mental, falta de ar e, em casos graves, coma. O uso de etanol como antídoto caseiro não é recomendado sem supervisão médica.