31 de julho de 2025
saúde

Mais que preguiça: a dificuldade extrema de sair da cama pode ser 'clinomania'

A condição tem forte ligação com questões emocionais e de saúde mental, como estresse prolongado, luto, depressão e anedonia – a incapacidade de sentir prazer

Por Redação
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A condição tem forte ligação com questões emocionais e de saúde mental, como estresse prolongado, luto, depressão e anedonia – a incapacidade de sentir prazer - Foto: Freepik

Aquela dificuldade extrema de levantar da cama pela manhã, muitas vezes atribuída à preguiça, pode ser um comportamento conhecido como clinomania – um desejo persistente de permanecer deitado mesmo sem sono. Diferente de uma simples escolha, o quadro está frequentemente associado a distúrbios do sono, depressão ou fadiga crônica, e interfere diretamente na rotina, no trabalho e no bem-estar.

Segundo Gleison Guimarães, médico especialista em sono, a clinomania se caracteriza pelo sofrimento e impacto funcional. “A pessoa quer sair da cama, mas não consegue. Há culpa e uma sensação de esforço desproporcional para levantar”, explica. O problema está relacionado à perda da função restauradora do sono: mesmo dormindo horas, a pessoa acorda exausta, pois o cérebro não atinge os estágios profundos necessários para a recuperação.

A condição tem forte ligação com questões emocionais e de saúde mental, como estresse prolongado, luto, depressão e anedonia – a incapacidade de sentir prazer. Distúrbios como insônia e apneia do sono também podem estar na origem do problema, já que prejudicam a qualidade do descanso.

Quando buscar ajuda

De acordo com o psicólogo Wanderson Neves, é importante observar a frequência e a intensidade dos sintomas. Situações que persistem por mais de duas semanas, com prejuízos à rotina, múltiplos sinais depressivos ou pensamentos de risco indicam a necessidade de avaliação profissional. A falta de melhora com mudanças simples nos hábitos de sono também é um alerta.

O tratamento varia conforme a causa, podendo incluir terapia cognitivo-comportamental, ajustes no ritmo circadiano ou, em casos de apneia, o uso de aparelhos como o CPAP. O objetivo é restaurar o ciclo natural de vigília e sono e ajudar a pessoa a retomar gradualmente suas atividades.