Mulher mais velha do mundo tinha DNA 20 anos mais jovem que sua idade cronológica
De acordo com o pesquisador Eloy Santos, líder do estudo, Maria apresentava sinais de envelhecimento extremo, como desgaste dos telômeros, mas mantinha um sistema imunológico ativo e eficiente
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A catalã Maria Branyas, que morreu em 2024 aos 117 anos, possuía idade biológica cerca de 20 anos menor do que sua idade cronológica, segundo estudo publicado na revista Cell Reports Medicine em setembro de 2025. A pesquisa foi conduzida pelo Instituto de Pesquisa contra a Leucemia Josep Carreras, na Espanha, a partir de amostras de seu DNA, atendendo a um pedido feito pela própria idosa antes de morrer.
De acordo com o pesquisador Eloy Santos, líder do estudo, Maria apresentava sinais de envelhecimento extremo, como desgaste dos telômeros, mas mantinha um sistema imunológico ativo e eficiente, indicando uma proteção biológica superior à esperada para sua idade. Variantes genéticas associadas à prevenção de doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e autoimunes contribuíram para essa longevidade excepcional.
Os pesquisadores também observaram a microbiota intestinal da idosa, rica em bifidobactérias, que mantêm baixos níveis de inflamação e inibem o crescimento de populações bacterianas nocivas. Segundo Santos, esses achados podem estar relacionados ao consumo frequente de iogurte, alimento fermentado conhecido por beneficiar a saúde intestinal.
Maria Branyas nasceu em 1907, trabalhou como dona de casa, enfermeira e costureira, e manteve independência até os 94 anos, quando passou a residir em uma casa de repouso. Até os 112 anos, ainda tocava piano com perfeição. Teve três filhos, sendo duas filhas ainda vivas, com 92 e 94 anos, o que sugere uma predisposição genética favorável à longevidade.
Para a geriatra Daniela Lima de Souza Galati, do Hospital Israelita Albert Einstein, a idade biológica é determinada tanto por fatores genéticos quanto pelo estilo de vida. Ela explica que "não existe um único gene que nos leve a envelhecer ou que desacelere o processo, há um conjunto de processos do DNA que são impactados e, como resultado, uma pessoa pode ter maior ou menor propensão a uma vida mais longeva. Mas os genes sozinhos não fazem o trabalho. A gente depende da epigenética, que é o quanto esse gene vai se expressar a depender do nosso estilo de vida".
Os pesquisadores destacam, contudo, que os achados de Maria Branyas não podem ser generalizados para a população, pois se baseiam na análise de uma única pessoa. Eloy Santos ressalta que o estudo abre hipóteses sobre novos biomarcadores de envelhecimento, que precisarão ser validados em amostras maiores para permitir aplicação preditiva sobre saúde e longevidade.