31 de julho de 2025
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MP de Goiás processa WePink, empresa de Virginia Fonseca, por práticas abusivas contra consumidores

Empresa acumula mais de 90 mil reclamações e é acusada de não entregar produtos, dificultar reembolsos e excluir críticas nas redes sociais

Por Redação
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Empresa de Virginia Fonseca acumula mais de 90 mil reclamações e é acusada de não entregar produtos, dificultar reembolsos e excluir críticas nas redes sociais - Foto: Reprodução/Instagram

A WePink, empresa de cosméticos da influenciadora digital Virginia Fonseca, foi alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) na última quarta-feira (8). O órgão aponta uma série de práticas abusivas e violações aos direitos do consumidor, com base em mais de 90 mil reclamações registradas apenas em 2024 no site Reclame Aqui.

Além do volume expressivo em plataformas informais, o Procon Goiás recebeu 340 denúncias formais contra a empresa entre 2024 e 2025. A ação, movida pela 70ª Promotoria de Justiça, detalha as principais irregularidades encontradas na investigação.

Práticas abusivas identificadas pelo MP


A investigação do MPGO listou as seguintes condutas irregulares da WePink:

- Falta de entrega: Consumidores pagaram por produtos que nunca receberam.

- Atrasos extremos: Descumprimento de prazos, com casos de espera superiores a sete meses.

- Dificuldade de reembolso: Resistência da empresa em devolver os valores pagos.

- Atendimento deficiente: Sistema automatizado que não resolve as demandas.

- Censura a críticas: Remoção de comentários negativos nas redes sociais para ocultar reclamações.

- Produtos com defeito: Entrega de cosméticos estragados ou diferentes do anunciado.

Declaração de sócio é citada como prova de má-fé


A ação reproduz uma declaração pública de Thiago Stabile, um dos sócios da WePink, em que ele admite problemas na operação. "A gente saltou de 200 mil faturamentos por mês para 400 mil faturamentos por mês. De fato, tivemos um problema de abastecimento, porque a gente cresceu muito rápido. Algumas vezes, (sim) demora, porque algumas matérias-primas acabam, porque a gente vende muito", disse Stabile.

Para o promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva, titular do caso, a fala caracteriza publicidade enganosa e má-fé contratual, pois a empresa estaria vendendo produtos sem ter estoque suficiente para honrar os pedidos.

O MP anexou à ação um Auto de Infração do Procon Goiás, lavrado em agosto de 2025, que detalha um caso emblemático. Nele, uma consumidora esperou por sete meses a entrega de um produto que nunca foi enviado. A WePink também se recusou a efetuar o estorno do valor pago.

MP pede suspensão de lives e indenização de R$ 5 Mi


Em pedido de tutela de urgência, o Ministério Público requer que a Justiça determine medidas imediatas à WePink. Entre as principais exigências estão:

Suspensão de novas lives promocionais até que todas as entregas pendentes sejam regularizadas.

Criação de um canal de atendimento humano com resposta inicial em até 24 horas.

Implementação de um mecanismo simplificado de cancelamento e reembolso, com devolução do valor em até 7 dias.

Entrega imediata de todos os produtos já pagos.

Multa diária de R$ 1 mil por descumprimento.

O órgão também pleiteia uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 5 milhões, que seria revertida ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor (FEDC). A ação ainda abre caminho para que consumidores lesados possam pleitear indenizações individuais.

Estratégia de vendas e uso da imagem de Virginia


A ação argumenta que os sócios, incluindo Virginia Fonseca, devem responder pessoalmente pelos danos, pois participavam ativamente das lives e tinham conhecimento das falhas operacionais, mantendo a estratégia de vendas massivas.

O MP critica ainda o uso de "flash sales" (ofertas-relâmpago), que criariam um "senso artificial de urgência" para induzir a compra impulsiva, explorando a vulnerabilidade dos consumidores. O documento ressalta que o uso da imagem de Virginia Fonseca agrava a situação, uma vez que milhões de seguidores confiam em sua recomendação, potencializando o alcance e o impacto das práticas abusivas.