Jaques Wagner deve discutir permanência na liderança do governo com Lula
Aliados avaliam que reunião entre presidente e senador será decisiva para definir futuro do petista no comando da articulação governista no Senado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Jaques Wagner devem se reunir nos próximos dias para uma conversa considerada decisiva sobre a permanência do parlamentar na liderança do governo no Senado.
Segundo aliados de Wagner, o encontro tende a ser delicado devido à relação de mais de quatro décadas entre os dois políticos e ao momento de pressão enfrentado pelo senador após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso Master.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares de Lula defendem que Wagner deixe o cargo para evitar desgastes ao governo e à campanha de reeleição do presidente em 2026. A avaliação é que a permanência do senador na liderança poderia ampliar o desgaste político provocado pela investigação.
Pessoas próximas ao parlamentar afirmam, porém, que ele não pretende criar um embate com Lula. Caso o presidente sinalize pela substituição, Wagner deverá expor pessoalmente sua insatisfação, mas sem confrontar a decisão.
O senador resiste à saída imediata por considerar que a medida poderia ser interpretada como uma admissão de culpa. Aliados lembram que ele não é réu no processo e argumentam que deixar a liderança exclusivamente em razão da operação passaria uma mensagem negativa.
Diante desse cenário, Wagner busca construir uma alternativa que desvincule uma eventual saída da investigação. Uma das possibilidades discutidas seria o afastamento temporário da liderança sob o argumento de que pretende dedicar mais tempo à própria defesa e à preparação de sua campanha à reeleição em 2026.
Em entrevista concedida na última quinta-feira (18), o senador afirmou que Lula não havia feito qualquer pedido para que deixasse o cargo e descartou, naquele momento, a possibilidade de renúncia à liderança.
A pressão sobre Wagner também parte de setores do próprio PT. Entre os nomes citados para assumir a função caso a mudança seja confirmada está o senador Camilo Santana, apontado nos bastidores como um dos favoritos para ocupar o posto.
A definição deve ocorrer após a conversa entre Lula e Wagner, considerada fundamental para o futuro da articulação política do governo no Senado.