Israel ratifica acordo de paz com Hamas e prevê cessar-fogo em até 24 horas
Acordo prevê libertação de reféns em 72 horas, redução de ocupação em Gaza e mediação dos EUA; pontos sensíveis ainda precisam de definição
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O governo de Israel aprovou nesta quinta-feira (9) o acordo de cessar-fogo com o Hamas, que também inclui a devolução de reféns mantidos pelo grupo terrorista. Com a ratificação, inicia-se o prazo de 24 horas para implementação do cessar-fogo na Faixa de Gaza, enquanto o Hamas terá até 72 horas para libertar os reféns, vivos ou mortos.
O acordo, mediado pelos Estados Unidos, com participação do Egito, Catar e Turquia, busca encerrar a escalada de violência entre Israel e o Hamas. O grupo palestino já assinou o documento e declarou um cessar-fogo permanente, enquanto Israel submeteu a proposta ao Conselho de Segurança antes da aprovação final pelo governo.
Dois ministros da extrema direita israelense, Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças), votaram contra o acordo, afirmando que derrubariam o governo de Netanyahu caso o Hamas não fosse desmantelado. Já o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, declarou que Israel não pretende continuar a guerra após a assinatura.
Principais pontos do acordo
Reféns: O Hamas ainda mantém 48 dos 251 reféns sequestrados em 2023. Israel estima que apenas 20 estejam vivos. O grupo palestino solicitou mais tempo para localizar corpos de reféns mortos. Em contrapartida, Israel deve liberar quase 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo condenados à prisão perpétua.
Ataques em Gaza: O plano prevê fim dos bombardeios e recuo das tropas israelenses, reduzindo a área de ocupação inicial de 75% para 57% da Faixa de Gaza. O chefe do Estado-Maior de Israel já instruiu as tropas a se prepararem para todos os cenários, inclusive para a operação de retorno dos reféns.
Implementação do cessar-fogo: Ainda não há hora exata para início oficial. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a votação interna do governo é formal, seguindo procedimentos semelhantes aos de acordos anteriores. A AFP indica que a assinatura oficial deve ocorrer às 6h desta quinta-feira, horário de Brasília.
Embora os principais termos do acordo tenham sido anunciados, ainda há detalhes não divulgados, incluindo a transição de governo na Faixa de Gaza e o compromisso do Hamas em entregar suas armas. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a medida como a “primeira fase” da paz, sugerindo que novas negociações serão necessárias.
A devolução dos corpos de reféns mortos representa um gargalo crítico. Até o momento, 28 dos 48 reféns ainda em poder do Hamas morreram, com cerca de seis ou sete corpos desaparecidos. A Turquia anunciou a criação de uma força-tarefa internacional para ajudar na localização dos corpos no território de Gaza.
O acordo marca um passo significativo para a redução do conflito, mas especialistas apontam que a implementação integral dependerá da cooperação total de ambos os lados e da resolução dos pontos mais sensíveis, especialmente a questão dos reféns mortos e da desmilitarização do Hamas.