31 de julho de 2025
Pesquisa

Estudo aponta que microplásticos podem alterar microbioma intestinal e afetar saúde

Para os autores, isso reforça a necessidade de compreender como diferentes materiais afetam o corpo humano

Por Redação
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Microplásticos - Foto: Louisa Goulamaki/AFP

Um novo estudo conduzido pela Universidade Médica de Graz, na Áustria, aponta que a exposição a microplásticos pode interferir no equilíbrio do microbioma intestinal, o conjunto de bactérias, fungos e vírus que vivem no sistema digestivo humano. As descobertas sugerem impactos potenciais na digestão, imunidade e até na saúde mental.

Os resultados serão apresentados esta semana durante o congresso da United European Gastroenterology, em Berlim.

Segundo o pesquisador Christian Pacher-Deutsch, líder do estudo, os microplásticos parecem alterar o ambiente químico do intestino, modificando o pH e, consequentemente, os processos metabólicos das bactérias. “Essas alterações podem ter implicações para doenças como depressão e câncer colorretal, embora estudos maiores sejam necessários para confirmar essas ligações”, afirmou.

No experimento, cientistas criaram culturas de microbioma em laboratório e as expuseram a cinco tipos comuns de microplásticos, em concentrações semelhantes às encontradas no organismo humano. Embora a quantidade total de bactérias não tenha mudado significativamente, os pesquisadores observaram alterações no ambiente bacteriano especialmente na acidez (pH) que indicam possíveis distúrbios no metabolismo microbiano.

As reações variaram de acordo com o tipo de microplástico utilizado. Para os autores, isso reforça a necessidade de compreender como diferentes materiais afetam o corpo humano.

Partículas de microplástico já foram detectadas em alimentos, bebidas, no solo, no mar, no ar e em tecidos humanos como sangue, fígado, rins e até cérebro. Embora ainda não exista consenso científico sobre os danos exatos causados por essa exposição, há indícios de que esses resíduos podem afetar sistemas como o imunológico, reprodutivo e cardiovascular.

Pacher-Deutsch reforça a importância de reduzir a exposição: “Diminuir o contato com microplásticos sempre que possível é uma medida prudente e necessária”.