31 de julho de 2025
Censo 2022

Censo 2022: mulheres têm mais escolaridade, mas seguem ganhando menos que os homens

Em termos de ocupação, as mulheres predominam em três dos dez grandes grupos

Por Redação
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pib_08.webp - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Apesar de representarem 52% da população brasileira e apresentarem maior nível de instrução, as mulheres continuam ganhando menos e sendo minoria no mercado de trabalho. É o que mostra o módulo Trabalho e Rendimento do Censo 2022, divulgado nesta quinta-feira (9) pelo IBGE.

Segundo os dados, apenas 44,9% das mulheres com mais de 14 anos estavam ocupadas na época da pesquisa, contra 62,9% dos homens. Com isso, elas representavam 43,6% da força de trabalho do país.

A desigualdade também aparece nos rendimentos médios. Enquanto os homens recebiam, em média, R$ 3.115 mensais, as mulheres ganhavam R$ 2.506 uma diferença de R$ 609. A disparidade se agrava entre trabalhadores com ensino superior completo: homens ganhavam R$ 7.347, enquanto mulheres recebiam R$ 4.591, cerca de 60% desse valor.

Mesmo assim, as mulheres apresentaram nível de escolaridade mais alto: 28,9% delas tinham ensino superior completo, contra 17,3% dos homens.

Em termos de ocupação, as mulheres predominam em três dos dez grandes grupos: profissionais das ciências e intelectuais; apoio administrativo; e serviços e vendas. Já em setores como operações de máquinas, forças armadas e segurança pública, a presença feminina é muito inferior. Elas são maioria absoluta em serviços domésticos (93,1%), saúde e educação (mais de 70%).

Renda por cor ou raça

A pesquisa também revelou fortes desigualdades raciais nos rendimentos. Indígenas declararam a menor média salarial: R$ 1.653. Em seguida, vêm os trabalhadores pretos (R$ 2.061) e pardos. Na outra ponta, pessoas de cor amarela (R$ 5.942) e branca (R$ 3.659) tiveram os maiores ganhos.

Mesmo com ensino superior completo, as desigualdades persistem: indígenas recebiam R$ 3.799, menos da metade dos R$ 8.411 pagos a pessoas amarelas. Pretos com diploma superior tinham rendimento médio de R$ 4.175, contra R$ 6.547 dos brancos.

Também há desequilíbrio na formação educacional por raça. Brancos e amarelos têm maior proporção de pessoas com ensino superior, enquanto entre pretos, pardos e indígenas ainda predomina o grupo sem instrução ou com ensino fundamental incompleto. No caso dos indígenas, 34,7% não completaram o ensino fundamental, e apenas 12,4% têm diploma universitário.