Médicos na China realizam 1º transplante de fígado de porco em humano; paciente sobrevive por quatro meses
O caso insere-se no campo do xenotransplante, área da medicina que estuda o uso de órgãos, tecidos ou células de animais em humanos
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Pela primeira vez na história, um fígado de porco geneticamente modificado foi transplantado para um ser humano vivo – um paciente de 71 anos com cirrose e câncer no fígado. O procedimento, realizado na China em maio de 2024, manteve o homem vivo por quatro meses antes que ele viesse a óbito devido a complicações. O caso, divulgado nesta quinta-feira (9) no Journal of Hepatology, marca um avanço na busca por órgãos animais para salvar vidas humanas.
A cirurgia foi realizada por uma equipe do Hospital da Universidade Médica de Anhui, em Hefei, e utilizou um fígado de porco com dez modificações genéticas para reduzir riscos de rejeição. O órgão foi implantado como suporte temporário, sem a remoção completa do fígado original do paciente, e chegou a produzir bile e proteínas essenciais, mantendo a função hepática por 38 dias.
De acordo com o cirurgião Beicheng Sun, líder do procedimento, o transplante demonstrou que “um fígado de porco geneticamente modificado pode funcionar em humanos por um longo período”. Nos primeiros dias, o paciente chegou a caminhar e não apresentou rejeição aguda. No entanto, após mais de um mês, complicações relacionadas à coagulação sanguínea, uma microangiopatia trombótica, exigiram a remoção do enxerto. O paciente faleceu quase seis meses após a cirurgia, em decorrência de hemorragias.
O caso insere-se no campo do xenotransplante, área da medicina que estuda o uso de órgãos, tecidos ou células de animais em humanos. Nos últimos anos, rins e corações de porco modificados também foram testados, sobretudo em situações experimentais com pacientes em morte cerebral. A novidade no caso chinês foi o uso do fígado suíno como terapia de suporte em um paciente consciente.