31 de julho de 2025
saúde

Brasil avança na 1ª vacina contra covid e terá primeiro imunizante 100% nacional

SpiN-TEC é segura e tem menos efeitos colaterais que Pfizer, aponta estudo

Por Redação
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SpiN-TEC é segura e tem menos efeitos colaterais que Pfizer, aponta estudo - Foto: Virginia Muniz/Ct Vacinas

O Brasil deu um passo decisivo para ter sua primeira vacina completamente nacional contra a covid-19. A SpiN-TEC, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com a Fundação Ezequiel Dias, acaba de ter seus primeiros resultados de segurança publicados em artigo científico, comprovando que o imunizante é seguro e avança para a fase final de testes. A expectativa é que a vacina esteja disponível para a população até o início de 2027.

De acordo com o coordenador do CT-Vacinas, Ricardo Gazzinelli, a vacina brasileira mostrou um perfil de segurança ainda melhor que o da Pfizer, utilizada como comparativo nos estudos. "Ela manteve esse perfil, na verdade foi até um pouco mais, induziu menos efeitos colaterais do que a vacina que nós usamos", afirmou o pesquisador. Desenvolvida com tecnologia inteiramente nacional, a SpiN-TEC utiliza uma estratégia inovadora baseada na imunidade celular, que prepara as células do sistema imunológico para identificar e destruir apenas as células infectadas, mostrando-se mais eficaz contra variantes do vírus.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação investiu R$ 140 milhões no desenvolvimento da vacina, que já passou pelas fases 1 e 2 dos testes clínicos com 36 e 320 voluntários, respectivamente. Agora, os pesquisadores aguardam autorização da Anvisa para iniciar a fase 3, que deverá contar com 5,3 mil voluntários de todas as regiões do país. Gazzinelli destaca que este desenvolvimento representa um marco para a ciência brasileira: "Este é um exemplo de uma vacina idealizada no Brasil e levada para os ensaios clínicos", explicou, ressaltando que o país agora acumula a expertise necessária para transformar pesquisas universitárias em produtos concretos.

Além do desenvolvimento da vacina contra covid-19, o CT-Vacinas trabalha no desenvolvimento de imunizantes para outras doenças como malária, leishmaniose, doença de Chagas e monkeypox. O pesquisador reforça a importância das vacinas para a saúde pública: "Nós sabemos que vacinas realmente protegem. Evitam, inclusive, a mortalidade. Quanto mais gente vacinada, mais protegida está a população". Caso aprovada em todas as fases, a SpiN-TEC deverá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde, representando um avanço significativo para a autonomia tecnológica do país na área de saúde.