31 de julho de 2025
SÃO PAULO

"Máfia do ICMS": Ministério Público aponta "sugar baby" como receptor de R$ 5,1 milhões de auditor preso por esquema de R$ 1 bi

Denúncia do MPSP detalha que Francisco de Carvalho Neto recebeu milhões de Artur Gomes, líder da fraude, e comprou imóveis para o fiscal

Por Redação
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Artur Gomes da Silva Neto, preso e apontado como líder do grupo - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um dos capítulos mais peculiares do esquema bilionário batizado de "Máfia do ICMS" envolve a relação entre o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, preso e apontado como líder do grupo, e Francisco de Carvalho Neto, denunciado por lavagem de dinheiro e identificado nas investigações como seu "sugar baby". A expressão, que designa alguém que mantém um relacionamento em troca de benefícios materiais, foi usada pelo próprio Francisco ao ser abordado pela polícia, segundo uma apuração do portal Metrópoles.

De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Francisco recebeu R$ 5,1 milhões de Artur Neto entre fevereiro de 2023 e dezembro de 2024. Os repasses eram feitos por meio da Smart Tax, empresa registrada em nome de Kimio Mizukami da Silva, mãe do auditor que também responde ao processo. Com o dinheiro, Francisco comprou três imóveis, incluindo o apartamento onde o próprio Artur vivia, na Avenida Santo Amaro, em São Paulo. Em agosto, durante a Operação Ícaro, Francisco teria dito às autoridades que seus "honorários" como "sugar baby" do fiscal rendiam cerca de R$ 100 mil mensais.

A "Máfia do ICMS" foi desvendada pela operação que prendeu auditores e ex-auditores fiscais acusados de inflar e antecipar créditos do imposto para empresas em troca de propina. O esquema teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em valores fraudulentos. Um diretor da rede Fast Shop confessou o crime, e a empresa fechou um acordo de leniência, pagando R$ 100 milhões em multas. Já a Ultrafarma, cujo dono chegou a ser preso, nega as irregularidades.

Artur Gomes da Silva Neto, considerado o operador central, foi denunciado por corrupção passiva em 53 ocasiões e lavagem de dinheiro em 83 transações. Uma das denúncias aponta que ele recebeu sozinho R$ 383 milhões em propinas. A defesa de Francisco de Carvalho Neto e do ex-auditor não se manifestou perante o contato da reportagem.