Shutdown nos EUA completa uma semana e paralisa serviços, com impactos na economia e segurança
Impasse orçamentário no Congresso deixa quase 1 milhão de servidores sem salário; controle aéreo, Forças Armadas e receita federal são afetados
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O governo dos Estados Unidos completou uma semana de shutdown nesta quarta-feira (8) em um cenário de impasse político e crescentes prejuízos. Sem um acordo no Congresso para a aprovação do orçamento federal, a paralisação parcial das atividades já afeta desde o transporte aéreo até o pagamento dos salários das Forças Armadas, reacendendo o fantasma da crise de 2019, a mais longa da história do país.
O shutdown ocorre quando o Congresso norte-americano não consecha aprovar a lei orçamentária que financia o governo federal. Sem a liberação de recursos, agências e departamentos considerados "não essenciais" têm suas atividades suspensas. Nesta edição, o impasse está centrado na disputa entre democratas, que buscam manter verbas para programas de saúde como o Obamacare, e o governo do republicano Donald Trump, que quer postergar a discussão.
As consequências são sentidas na prática por milhões de cidadãos e no funcionamento do estado. Quase 1 milhão de servidores federais foram colocados em licença não remunerada, enquanto outros 700 mil – em funções consideradas essenciais – continuam trabalhando sem garantia de pagamento imediato.
O setor de aviação é um dos mais impactados. A Administração Federal de Aviação (FAA) já registra atrasos significativos em aeroportos como Las Vegas, Denver e Newark devido à falta de controladores de voo. Com cerca de 13 mil desses profissionais e 50 mil agentes de segurança aeroportuária atuando sem receber, o número de faltas dobrou, forçando o fechamento de algumas torres de controle. Mais de 4 mil voos foram afetados apenas no início da semana, com o setor aéreo estimando perdas superiores a US$ 1 bilhão semanalmente.
Os efeitos também atingem a defesa nacional. Os militares americanos podem ficar sem o pagamento quinzenal previsto para a próxima quarta-feira (15), uma vez que o Tesouro não pode emitir a folha sem o orçamento aprovado. Especialistas apontam a gravidade da situação. "As Forças Armadas não deveriam ser arrastadas a uma disputa política doméstica", analisa o jornalista e observador da Casa Branca, Fernando Hessel, em entrevista ao Metrópoles.
Na esfera econômica, o shutdown já pressiona o Produto Interno Bruto (PIB), com uma redução estimada de 0,1 ponto percentual a cada semana de paralisação. O IRS, a Receita Federal americana, afastou mais de 34 mil funcionários, e programas de financiamento habitacional estão travados, gerando um "efeito tsunami" de perda de confiança e retração do consumo, mesmo após uma eventual reabertura do governo.
Enquanto isso, o Congresso permanece em deadlock. O presidente da Câmara, Mike Johnson, rejeitou votar um projeto isolado para pagar os militares e deve se reunir com republicanos nesta quinta-feira (9) em uma tentativa de destravar a crise, mas sem uma solução concreta à vista.