31 de julho de 2025
ECONOMIA

Shutdown nos EUA paralisa divulgação de dados de emprego e preocupa o Federal Reserve

Paralisação do governo impede a publicação do "payroll", indicador crucial para decisões de juros; Fed pode ficar "no escuro" antes da próxima reunião

Por Redação
Publicado em
Payroll é o principal relatório de emprego do país - Foto: Reprodução

O "shutdown" do governo dos Estados Unidos – que completa três dias nesta sexta-feira (3) – provocou o cancelamento da divulgação do "payroll", o principal relatório de emprego do país, gerando incertezas no mercado e complicando a atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

A paralisação de setores do governo, iniciada na última quarta-feira (1º), ocorreu após o Congresso não chegar a um acordo sobre o orçamento, renovando um impasse entre republicanos e democratas. Sem operadores em funções essenciais, dados econômicos oficiais, como os do mercado de trabalho, deixaram de ser publicados.

O "payroll" de setembro, que estava previsto para ser divulgado nesta sexta, é um dos indicadores mais acompanhados por investidores e pelo Fed para avaliar a saúde da economia e orientar decisões sobre a taxa de juros. Sem essa informação, o banco central terá menos elementos para decidir se mantém ou não o ciclo de cortes de juros na reunião marcada para 29 de outubro.

A taxa de juros americana está atualmente entre 4% e 4,25% ao ano, após um corte de 0,25 ponto percentual na última reunião. Analistas esperavam mais duas reduções até o final do ano, mas a falta de dados oficiais pode adiar ou alterar esse movimento.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, alertou para os riscos econômicos do shutdown. “Não é a maneira de governar, paralisando o governo, reduzindo o PIB”, afirmou, em entrevista à CNBC.

O PIB dos EUA cresceu 3,8% no segundo trimestre, mas projeções indicam desaceleração para 2,5% no terceiro trimestre. Dados do setor privado (ADP) mostraram perda de 32 mil vagas em setembro, pior que a expectativa do mercado. Agosto foi o quarto mês seguido com criação de empregos abaixo de 100 mil, o ritmo mais fraco desde a pandemia.

Esta é a primeira paralisação do governo em quase sete anos. A última, em dezembro de 2018, durou 35 dias. Agora, a interrupção de serviços e a falta de dados essenciais devem prolongar a incerteza sobre o rumo da maior economia do mundo.