31 de julho de 2025
ISRAEL E PALESTINA

Egito sedia negociações para acordo de paz em Gaza com base em plano americano

Proposta de Trump prevê "Conselho da Paz" temporário, cessar-fogo permanente e transferência do controle de Gaza para Autoridade Palestina

Por Redação
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Pessoas coletam água ao lado de um prédio que corre o risco de desabar em Beit Lahia. Norte de Gaza. - Foto: Nour Alsaqqa/MSF

Em meio a um cenário de esperança renovada, as negociações indiretas entre as delegações israelense e palestina foram iniciadas nesta segunda-feira (6) na cidade egípcia de Sharm El Sheikh. Os diálogos, mediados pelo Egito e reportados pela mídia estatal local, têm como base o plano de cessar-fogo apresentado pelo governo dos Estados Unidos, representando a iniciativa diplomática mais abrangente desde o início do conflito há dois anos.

A proposta americana, divulgada oficialmente pela Casa Branca, estabelece a criação de um "Conselho da Paz" temporário, que seria presidido pelo presidente Donald Trump e contaria com a participação de outros líderes internacionais, incluindo o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. O plano prevê um cessar-fogo permanente e a libertação imediata de todos os reféns ainda mantidos pelo Hamas, vivos ou mortos, em troca da libertação de presos palestinos por Israel e da devolução de restos mortais de pessoas de Gaza.

Entre os pontos centrais da proposta está a transferência progressiva do controle de Gaza para a Autoridade Palestina, com a garantia de que o território não será anexado por Israel e que o Hamas não terá participação no futuro governo da região. O acordo também estabelece a retirada gradual das forças israelenses, a desmilitarização de Gaza e oferece anistia para os integrantes do grupo palestino que se renderem voluntariamente.

O governo israelense já manifestou publicamente sua concordância com os termos do plano, enquanto o Hamas declarou que aceita libertar todos os reféns no início do cessar-fogo e renunciaria ao controle do território palestino. Entretanto, o grupo ainda não se pronunciou sobre outros pontos críticos da proposta, deixando em aberto questões fundamentais para o sucesso das negociações. As conversas em Sharm El Sheikh representam o mais significativo avanço diplomático desde o início do conflito, abrindo caminho para uma potencial solução duradoura que possa pôr fim a dois anos de intensos combates e sofrimento humanitário na Faixa de Gaza.