Lula reúne líderes do Congresso para articular votação de IR e tributação de setores ricos
Encontro com Haddad, Motta e Alcolumbre debateu pautas econômicas prioritárias; anistia a condenados do 8 de Janeiro está fora da agenda, segundo ministra Gleisi Hoffmann
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta terça-feira (30) com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em um almoço no Palácio do Planalto para articular as pautas prioritárias do governo no Congresso Nacional. O encontro, que contou com a presença da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, focou em projetos considerados estratégicos para o Executivo até o final do ano.
Entre as principais matérias em discussão está a reforma do Imposto de Renda, que deve ser votada pelo plenário da Câmara nesta quarta-feira (1º). O projeto, relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), prevê a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais e cria uma alíquota extra progressiva de até 10% para rendas anuais superiores a R$ 600 mil. "São projetos importantes, eu não diria para o governo, diria para a população brasileira", afirmou Gleisi Hoffmann aos jornalistas após o evento.
A Medida Provisória 1.303/2024, que trata da tributação de setores de alta renda, também foi destacada como prioridade na reunião. Segundo a ministra, a MP - que deve ser votada em comissão especial na quinta-feira (2) - aumenta a tributação sobre bets (apostas esportivas), fintechs, bancos e aplicações em letras de crédito, além de incluir mudanças na educação e no seguro-defeso para pescadores artesanais.
Questionada sobre a possibilidade de votação de projetos de anistia para condenados dos atos golpistas de 8 de Janeiro, Gleisi Hoffmann foi enfática: "Me parece que a anistia não será pauta essa semana, não sei quando vai ser pauta. Como não é um tema que nos interessa, nós também não perguntamos a respeito". A declaração sinaliza o distanciamento do governo em relação a propostas de revisão de penas para envolvidos nos ataques às instituições democráticas.