31 de julho de 2025
SAÚDE

Aumento de casos de sarampo nas américas gera alerta da OPAS

Brasil registra 24 casos, a maioria no Tocantins, e especialistas reforçam urgência de alcançar 95% de cobertura vacinal para evitar surtos graves

Por Redação
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Vacinação é a melhor forma de combater o sarampo. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta em agosto de 2025 após detectar um aumento alarmante de 34 vezes no número de casos de sarampo em comparação com o mesmo período de 2024. Até o momento, dez países das Américas registraram ocorrências da doença, totalizando mais de 10 mil confirmações e 18 mortes – concentradas principalmente no México (14), Estados Unidos (3) e Canadá (1).

No Brasil, os registros mais recentes apontam 24 casos confirmados até o final de agosto, sendo 19 deles no Tocantins. Apesar de figurar entre os países com menor número de ocorrências na região, o Brasil mantém estado de atenção devido à alta transmissibilidade do vírus.

Para Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Exantemáticos da Fiocruz, a situação exige ação imediata: “O sarampo é altamente transmissível. Precisamos atingir, no mínimo, 95% de cobertura vacinal para criarmos uma proteção coletiva”.

Altamente contagioso, o sarampo se espalha por via aérea e pode infectar pessoas de todas as idades, causando febre alta, erupções cutâneas generalizadas, congestão nasal e irritação ocular. Em casos graves, a doença pode evoluir para pneumonia, encefalite e até levar à morte, especialmente entre crianças desnutridas e pessoas com imunidade comprometida.

Vacinação: conquista ameaçada

A vacinação permitiu que as Américas recebessem o certificado de eliminação do sarampo em 2016. No entanto, a queda nas coberturas vacinais tem facilitado o retorno da doença. Segundo a OPAS, em 2024 apenas 89% das crianças receberam a primeira dose da vacina tríplice viral e 79% completaram o esquema de duas doses – abaixo dos 95% recomendados.

No Brasil, a situação vem melhorando: o número de municípios que atingiram a meta de 95% de cobertura para a segunda dose da tríplice viral mais que dobrou entre 2022 e 2024, passando de 855 para 2.408 cidades. Mesmo assim, a vigilância permanece essencial.

O Ministério da Saúde tem reforçado ações em áreas de fronteira e realizado Dias D de vacinação em vários estados. Em julho, foram aplicadas cerca de 3 mil doses em cidades fronteiriças do Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Em agosto, todos os 79 municípios de Mato Grosso do Sul participaram de campanhas de imunização.

Marilda Siqueira ressalta que o sucesso depende da adesão da população: “É preciso procurar o servi de saúde ao apresentar febre com exantema e manter a vacinação em dia. Só assim evitaremos a disseminação do vírus”.

A proteção completa exige duas doses da vacina. No calendário nacional, a primeira dose é aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade.