31 de julho de 2025
RISCO DE EPIDEMIA

Pesquisadores da USP alertam para risco de mosquito asiático trazer malária para áreas urbanas do Brasil

Espécie Anopheles stephensi, que se prolifera em ambientes urbanos como o Aedes aegypti, já se espalhou pela África e ameaça entrar no Brasil por portos marítimos

Por Redação
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Anopheles stephensi, novo mosquito - Foto: Portal Biologia/Agência Brasil/Divulgação

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) emitiram um alerta sobre o risco de introdução no Brasil do Anopheles stephensi, mosquito originário da Ásia e vetor potencial da malária. Diferente do Anopheles darlingi – principal transmissor da doença no país, com atuação restrita a áreas florestais –, essa espécie se adapta facilmente a centros urbanos, reproduzindo-se em recipientes com água parada, como pneus, vasos e caixas-d’água, assemelhando-se ao comportamento do Aedes aegypti.

Um estudo recente da Faculdade de Saúde Pública e do Instituto de Estudos Avançados, ambos da USP, publicado na Scientific Reports, indica que as condições climáticas e urbanas do Brasil são favoráveis à proliferação desse mosquito. A principal via de entrada seria por meio de navios em portos brasileiros. Os pesquisadores destacam a ausência de um plano estruturado de vigilância específica para esse vetor, aumentando o risco de uma disseminação silenciosa e da consequente urbanização da malária – hoje concentrada majoritariamente na região Amazônica.

Bactéria Wolbachia: uma solução inovadora

Diante da ameaça, ganha relevância o uso da bactéria Wolbachia como método de controle biológico. Presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos, mas não no Aedes aegypti, ela é capaz de reduzir significativamente a capacidade de transmissão de vírus como dengue, zika e chikungunya. Estudos indicam que a mesma técnica pode ser eficaz contra o Anopheles stephensi, diminuindo seu potencial de transmitir malária. A aplicação no Anopheles darlingi, mosquito predominante no Brasil, ainda está em avaliação.

Iniciativas como o World Mosquito Program já implementaram o método no Brasil, com resultados positivos em cidades como Rio de Janeiro, Niterói e Belo Horizonte, onde se observou queda expressiva nos casos de dengue após a introdução de mosquitos com Wolbachia. A vantagem do método é sua autossustentabilidade: uma vez introduzida, a bactéria é transmitida naturalmente para as gerações seguintes de mosquitos, dispensando a necessidade de liberações contínuas.

Engajamento comunitário é crucial

A eficácia da estratégia depende fortemente do envolvimento das comunidades. Equipes de saúde e pesquisadores realizam reuniões, campanhas educativas e visitas domiciliares para explicar a segurança e os benefícios do método, combatendo desinformação e conquistando confiança. Apesar de não substituir medidas convencionais – como eliminação de criadouros e saneamento básico –, a Wolbachia representa uma ferramenta promissora e sustentável para o controle de arboviroses a longo prazo.