31 de julho de 2025
ITAMARATY

Brasil e EUA entram em rota de colisão diplomática após declarações sobre julgamento de Bolsonaro

Itamaraty emite nota de repúdio contra ameaças dos EUA; governo americano citou "liberdade de expressão" e não descartou uso de poderio econômico e militar, gerando crise diplomática

Por Redação
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Itamaraty condenou a ameaça dos EUA de usar "poder militar" contra o Brasil - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Ministério das Relações Exteriores emitiu uma nota oficial na noite desta terça-feira (9) condenando veementemente as declarações de representantes do governo dos Estados Unidos, que foram interpretadas como uma ameaça de sanções econômicas ou mesmo do uso da força contra o Brasil. A crise diplomática surge em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por acusações de tentativa de golpe de Estado.

Em comunicado forte, o Itamaraty afirmou que o governo brasileiro repudia qualquer forma de interferência estrangeira em sua soberania nacional. A nota destacou que o dever dos três Poderes da República é defender a democracia e a vontade popular expressa nas urnas, e que eles "não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania". O texto também condenou a "tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais".

O estopim da crise foi uma declaração da secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Questionada sobre o julgamento de Bolsonaro, ela afirmou que a liberdade de expressão é uma "prioridade máxima" para o governo do presidente Donald Trump e que ele "não tem medo de usar o poderio econômico e militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo". As declarações, reportadas pela agência Reuters, ecoaram rapidamente em Brasília.

A reação do governo brasileiro foi imediata e veio de várias frentes. Em discurso em Manaus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a articulação de aliados de Bolsonaro no exterior, afirmando que "esses caras tiveram a pachorra de mandar gente para os Estados Unidos para falar mal do Brasil". Já a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi mais direta em suas redes sociais, classificando as ações como a "conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil" e citando uma suposta ameaça de invasão, que considerou "totalmente inadmissível".

O julgamento que originou a polêmica ocorre na Primeira Turma do STF. Os ministros Alexandre de Moraes (relator) e Flávio Dino já votaram pela condenação dos réus. O julgamento foi suspenso e será retomado nesta quarta-feira (10) com os votos dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, definindo o destino processual do ex-presidente e dos demais envolvidos na suposta trama golpista.