31 de julho de 2025
Diplomacia em crise

Embaixada de Trump ameaça ministro Alexandre de Moraes

No dia 8 de agosto, a representação já havia classificado o magistrado como “o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores”

Por Vinícius Rocha
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A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou, nesta terça-feira (9), uma nova manifestação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Relator do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete acusados de participar de uma trama golpista para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022, Moraes foi novamente alvo de críticas e advertências públicas da representação diplomática.

“Para o ministro Alexandre de Moraes e os indivíduos cujos abusos de autoridade têm minado essas liberdades fundamentais – continuaremos a tomar as medidas cabíveis”, publicou a embaixada em suas redes sociais.

No dia 8 de agosto, a representação já havia classificado o magistrado como “o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores” no Brasil, alegando violação de direitos humanos. Na ocasião, também alertou “os aliados de Moraes no [Poder] Judiciário e em outras esferas” a não apoiarem ou facilitarem as decisões do ministro, sob pena de sofrerem sanções. O episódio levou o Ministério das Relações Exteriores a convocar o encarregado de negócios da embaixada, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre as declarações atribuídas ao governo Trump.

A postagem desta terça-feira reproduz mensagem publicada um dia antes (8) pelo subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie. A manifestação ocorreu no contexto da retomada do julgamento da chamada trama golpista.

Na mensagem, Beattie fez referência ao 7 de setembro, data em que o Brasil celebra sua independência. Em Brasília, a cerimônia oficial contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Esplanada dos Ministérios. Durante o evento, parte do público entoou palavras de ordem como “sem anistia”. Paralelamente, em outras localidades, ocorreram manifestações em favor da anistia a investigados e condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram depredadas.

Segundo Beattie, a data nacional serviu como um “lembrete” do compromisso do governo estadunidense “em apoiar o povo brasileiro que busca preservar os valores de liberdade e justiça”.

A nova manifestação da embaixada repercutiu imediatamente nas redes sociais. Embora alguns usuários tenham apoiado a iniciativa, a maioria criticou o que considerou um ato de interferência externa. Um internauta questionou ao Grok – assistente de conversação com inteligência artificial – se a conduta não configuraria ingerência na política brasileira.

“Sim, muitos veem as declarações e avaliações dos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes como interferência em assuntos internos brasileiros, violando a soberania [do país], mas outros argumentam que é uma resposta legítima a supostos abusos de poder que afetam interesses globais de liberdade”, respondeu o chatbot, desenvolvido pela empresa do bilionário Elon Musk, ex-chefe do Departamento de Eficiência Governamental do governo Trump.

A Agência Brasil solicitou posicionamento à assessoria do ministro Alexandre de Moraes e aguarda retorno.