Relatório alerta que dez estádios da Copa de 2026 estão em alto risco por calor extremo
O documento indica que, até 2050, quase 90% das arenas da edição de 2026 precisarão de adaptações urgentes contra o calor extremo
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Um estudo divulgado nesta terça-feira (9) adverte sobre os graves riscos climáticos que ameaçam a Copa do Mundo de 2026, a ser sediada por Estados Unidos, Canadá e México. Segundo o relatório “Pitches in Peril”, 10 dos 16 estádios do torneio enfrentam risco "muito alto" de condições extremas de estresse térmico, com projeções ainda mais preocupantes para as décadas seguintes.
O documento indica que, até 2050, quase 90% das arenas da edição de 2026 precisarão de adaptações urgentes contra o calor extremo, enquanto um terço delas sofrerá com escassez hídrica, com demanda de água igual ou superior à oferta disponível. O estudo também analisou os impactos nas Copas de 2030 e 2034, além de campos amadores que formaram grandes astros do futebol mundial.
Juan Mata, campeão mundial pela Espanha em 2010, manifestou preocupação: “Como alguém da Espanha, não posso ignorar a crise climática”. O meia lembrou as enchentes devastadoras que atingiram Valência no ano passado e destacou: “O futebol sempre uniu as pessoas, mas agora também nos lembra o que podemos perder”.
A prévia do problema foi sentida no último Mundial de Clubes, nos EUA, quando jogadores classificaram as condições como “impossíveis”. O evento registrou calor extremo e tempestades que forçaram a FIFA a implementar medidas emergenciais, como pausas extras para hidratação, bancos cobertos e pontos de resfriamento.
De acordo com a análise, 14 dos 16 estádios da Copa de 2026 já ultrapassaram, em 2025, os limites de segurança em pelo menos três riscos climáticos: calor extremo, chuvas intensas e inundações. Treze arenas registram, anualmente, ao menos um dia acima do limite da FIFA para pausas de hidratação — 32°C no índice Wet-Bulb Globe Temperature (WBGT), que mede o estresse térmico sob sol direto.
As cidades de Dallas e Houston aparecem como os casos mais críticos, com projeções de até 51 dias por ano com temperaturas acima do limite considerado seguro para a prática esportiva. Embora estádios como os dessas localidades contem com tetos retráteis, os riscos se estendem além das arenas de elite. O relatório alerta que o campo onde o egípcio Mohamed Salah iniciou a carreira poderá ter mais de um mês por ano de calor impraticável até 2050.
Piers Forster, diretor do Priestley Centre for Climate Futures, em Leeds, foi enfático: “À medida que avançamos nesta década, os riscos continuarão a crescer se não tomarmos medidas drásticas”. Entre as soluções sugeridas estão a transferência de competições para meses de inverno ou regiões mais frias.
Com 96 páginas, o relatório conclui com um apelo à indústria do futebol: assume o compromisso de zerar as emissões líquidas de carbono até 2040, exige planos credíveis de descarbonização e propõe a criação de fundos de adaptação por parte dos organizadores de torneios.