Embrapa alerta: crise climática põe em risco cultivo de alface em campo aberto
Pesquisadores também planejam expandir os estudos para outras hortaliças
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A Embrapa, criada na década de 1970 para desenvolver soluções agropecuárias e aumentar a produtividade no campo brasileiro, tem investido em pesquisas focadas na adaptação das culturas às condições climáticas adversas. Uma das linhas de trabalho é o desenvolvimento de tipos de alface com maior tolerância ao calor, além de sistemas de produção sustentáveis para garantir a viabilidade do cultivo mesmo em situações desfavoráveis.
Atualmente, a instituição conta com cultivares que apresentam diferentes mecanismos para resistir ao calor, como a alface BRS Mediterrânea. Essa variedade é mais precoce, o que significa que fica menos tempo no campo até atingir o padrão comercial, reduzindo a exposição às variações de temperatura, explica o engenheiro-agrônomo Fábio Suinaga.
Além disso, a Embrapa desenvolve espécies com sistema radicular vigoroso, capazes de aproveitar melhor a água e os nutrientes do solo, aumentando a resistência ao estresse térmico.
Os pesquisadores também planejam expandir os estudos para outras hortaliças, como tomate, batata e cenoura. Para isso, utilizam inteligência artificial (IA) para automatizar a criação de mapas de risco climático, aumentando a escala e a rapidez dos levantamentos.
Produção de alface no Brasil
De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo IBGE, o Brasil produziu 671,5 mil toneladas de alface naquele ano. São Paulo foi o maior produtor, com 268,1 mil toneladas, seguido por Rio de Janeiro (98,3 mil), Paraná (51,7 mil) e Minas Gerais (49,8 mil).
Já dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), mostram que, em agosto de 2025, as 11 Centrais de Abastecimento (Ceasas) integradas ao sistema da Conab comercializaram 4,6 mil toneladas de alface. Os maiores volumes foram registrados em São Paulo (2,2 mil toneladas), Curitiba (870,7 toneladas) e Fortaleza (558,6 toneladas).