31 de julho de 2025
SUS

A cada 2 horas, uma pessoa é internada no Brasil por envenenamento, aponta levantamento

Do total de casos, 3.461 foram provocados intencionalmente por terceiros

Por Por Redação
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Nos últimos 10 anos, 1.480 pessoas morreram após casos de intoxicação no país - Foto: Foto: Agência Brasil

Um levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) revela que, nos últimos 10 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 45.511 atendimentos de emergência por envenenamento que evoluíram para internações hospitalares, e, em alguns casos, óbito.

A média é alarmante: uma pessoa é atendida a cada duas horas por intoxicação causada por ingestão de substâncias tóxicas ou reações adversas graves. Isso equivale a 4.551 internações por ano, ou cerca de 13 por dia. Do total de casos, 3.461 foram provocados intencionalmente por terceiros.

A Abramede destaca que os dados coincidem com os 10 anos do reconhecimento da medicina de emergência como especialidade no Brasil. Segundo a presidente da entidade, Camila Lunardi, muitos desses casos vão além de acidentes domésticos: “Muitas intoxicações são intencionais, com motivações emocionais, familiares ou até criminosas”, afirmou.

Ela cita episódios marcantes, como:

  • O bolo com arsênio que matou quatro pessoas em Torres (RS), em dezembro de 2024;
  • A ceia de Réveillon em Parnaíba (PI), com cinco mortes no início de 2025;
  • Um ovo de Páscoa envenenado no Maranhão;
  • E um açaí contaminado entregue no Rio Grande do Norte, que matou uma bebê de oito meses.

Substâncias mais envolvidas

Entre os agentes tóxicos mais frequentemente identificados estão:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios: 2.225 casos
  • Álcool: 1.954 casos
  • Pesticidas: 1.830 casos
  • Sedativos, hipnóticos e anticonvulsivantes: 1.941 casos

A médica emergencista Juliana Sartorelo afirma que muitas intoxicações poderiam ser evitadas com melhor regulamentação, fiscalização, combate ao comércio clandestino e apoio psicológico a populações vulneráveis. Ela também enfatiza a importância da agilidade no atendimento: “A prioridade é estabilizar o paciente, não identificar o veneno imediatamente”, explica.

Casos aumentaram nos últimos anos

Após uma queda entre 2015 e 2021, os casos voltaram a crescer. 2023 e 2024 tiveram os maiores números: 5.523 e 5.560 internações, respectivamente.

Regiões com mais ocorrências

  • Sudeste: 20.100 atendimentos (com destaque para São Paulo (10.161) e Minas Gerais (6.154))
  • Sul: 9.600 (Paraná e Rio Grande do Sul lideram)
  • Nordeste: 7.080 (Bahia e Pernambuco à frente)
  • Centro-Oeste: 5.161 (principalmente DF e Goiás)
  • Norte: 3.980 (Pará responde por mais da metade)

Perfil das vítimas

  • Homens: 23.796 registros
  • Adultos de 20 a 29 anos: 7.313 casos
  • Crianças de 1 a 4 anos: 7.204 casos
  • Bebês até 1 ano e idosos acima de 80 anos: ambos com 968 casos

Intoxicações intencionais por região

  • Sudeste: 1.513 casos
  • Sul: 551
  • Nordeste: 492
  • Centro-Oeste: 470
  • Norte: 435
    Com São Paulo (754), Minas Gerais (500) e Pará (295) liderando.