31 de julho de 2025
Pesquisa

Cientistas restauram gene ancestral e abrem caminho para novo tratamento contra a gota

A gota afeta 1 em cada 25 pessoas no mundo e é causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações

Por Por Redação
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OIP.jpg - Foto: Reprodução Internet

Pesquisadores conseguiram restaurar um gene ancestral perdido há milhões de anos pelos humanos, abrindo uma nova possibilidade de tratamento para a gota, uma forma de artrite que provoca dores intensas nas articulações. A técnica, descrita em um estudo publicado em 18 de julho na revista Scientific Reports, utilizou a edição genética CRISPR para inserir o gene em células humanas cultivadas em laboratório.

A gota afeta 1 em cada 25 pessoas no mundo e é causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações. Embora existam tratamentos disponíveis, muitos causam efeitos colaterais ou têm eficácia limitada, o que motiva a busca por novas alternativas terapêuticas.

O gene restaurado permite a produção da enzima uricase, que quebra o ácido úrico. Enquanto outros mamíferos ainda produzem essa enzima naturalmente, os humanos perderam essa capacidade devido a mutações acumuladas ao longo da evolução.

De acordo com o biólogo Eric Gaucher, da Universidade Estadual da Geórgia e autor do estudo, as células humanas ainda reconhecem a proteína ancestral, o que pode facilitar sua aplicação médica. “Nosso objetivo é mostrar como proteínas antigas podem ajudar a desenvolver terapias modernas”, afirmou Gaucher.

Nos experimentos, a introdução do gene em esferoides de fígado humano reduziu os níveis de ácido úrico e diminuiu o acúmulo de gordura associado à ingestão de açúcar das frutas. A próxima etapa da pesquisa será testar a técnica em camundongos, utilizando nanopartículas para entregar o gene diretamente às células do fígado.

Atualmente, já existem tratamentos com uricase derivada de genes de animais, mas eles podem provocar respostas imunológicas severas. A vantagem da nova abordagem é usar uma versão ancestral humana do gene, o que pode reduzir o risco de rejeição.

Embora ainda esteja em estágio inicial, a pesquisa reforça o potencial de unir evolução molecular e medicina clínica para enfrentar doenças comuns, como a gota.