Senador Jorge Seif defende CPI do Judiciário após depoimento de ex-assessor do TSE no Senado
Parlamentar acusa Alexandre de Moraes de comandar "gabinete do ódio" e "fábrica de denúncias" com base em relatos de Eduardo Tagliaferro
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Em pronunciamento no Plenário do Senado nesta quarta-feira (3), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostos abusos do ministro Alexandre de Moraes e de seu gabinete no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A alegação baseia-se no depoimento do ex-assessor Eduardo Tagliaferro, ouvido na terça-feira (2) pela Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado.
Segundo Seif, Tagliaferro – que trabalhou sob o comando de Moraes no TSE – descreveu uma "fábrica de denúncias" operada dentro do gabinete do ministro, com monitoramento de redes sociais de parlamentares e influenciadores de direita para "criar escândalos" na mídia antes da emissão de ordens judiciais.
– Primeiro jogavam o material na imprensa, depois Moraes assinava ordens de busca e apreensão com justificativas formuladas após as matérias – afirmou o senador, acusando o ministro de crimes como fraude processual, falsidade ideológica e abuso de autoridade.
Seif também criticou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sugerindo que ele "seguia ordens" de Moraes apesar da independência formal entre as instituições. O parlamentar classificou as revelações como "um dos capítulos mais sombrios da democracia brasileira" e exigiu a CPI para "expor à luz do dia perseguições e abusos".
O depoimento de Tagliaferro integra investigações conduzidas pela CSP sobre suposto monitoramento ilegal de autoridades pelo TSE. A criação de uma CPI do Judiciário depende de apoio majoritário no Senado e enfrenta resistência de partidos alinhados ao governo. O TSE e Alexandre de Moraes não se manifestaram publicamente sobre as acusações.