31 de julho de 2025
SAÚDE

Câncer colorretal em jovens é mais agressivo, revela estudo brasileiro

Pesquisa com 434 pacientes mostra que adultos entre 18 e 49 anos têm risco 93% maior de retorno da doença; sedentarismo, obesidade e diagnóstico tardio são fatores-chave

Por Redação
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Entre os 78 pacientes jovens (58,97% mulheres), os tumores foram mais agressivos - Foto: Shutterstock/Ilustração

Um estudo brasileiro realizado com 434 pacientes do Hospital Universitário de Brasília revelou que o câncer colorretal em adultos jovens (18 a 49 anos) é significativamente mais agressivo e apresenta maior risco de recidiva (reaparecimento da doença) em comparação com pacientes acima de 50 anos. O trabalho, que será apresentado no 73º Congresso Brasileiro de Coloproctologia em São Paulo, analisou dados de 2010 a 2020 e mostrou que o grupo mais jovem teve um risco 93% maior de recidiva e maior prevalência de tumores indiferenciados (com comportamento biológico agressivo).

Principais achados:

  • Entre os 78 pacientes jovens (58,97% mulheres), os tumores foram mais agressivos;
  • Fatores como sedentarismo, obesidade e alimentação inadequada estão associados ao aumento global de casos em jovens;
  • A ausência de rastreamento antes dos 50 anos contribui para diagnósticos tardios.

Mudanças nas recomendações:

Diante do crescimento de casos em jovens, sociedades médicas passaram a recomendar o rastreamento a partir dos 45 anos – por meio de sangue oculto nas fezes (anual) ou colonoscopia (a cada 5 anos). No Brasil, o Inca classifica o câncer colorretal como um dos mais comuns.

Sinais de alerta:

  • Alterações no hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia persistentes);
  • Sangramento retal ou sangue nas fezes;
  • Dores abdominais;
  • Fezes mais finas ou alongadas.

Especialistas alertam que sintomas como sangramento retal em jovens não devem ser atribuídos automaticamente a hemorroidas sem investigação adequada. "A proporção de casos cancerígenos é maior do que se imaginava", afirma Sérgio Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

Prevenção e desafios:

Além do rastreamento, a adoção de hábitos saudáveis – dieta balanceada, atividade física e controle do peso – é crucial para reduzir riscos. No sistema público, ampliar o acesso à colonoscopia permanece um desafio, mas essencial para mudar o cenário atual.

O estudo reforça a urgência de políticas públicas direcionadas ao diagnóstico precoce e à conscientização sobre a doença entre jovens.