Defesa de Augusto Heleno expõe anotação que indica divergência sobre vacina com Bolsonaro
Advogado cita anotações pessoais do general para contestar acusações de envolvimento no núcleo golpista; PGR mantém pedido de condenação por crimes contra a democracia
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A defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), revelou durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) uma divergência entre o militar e o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a vacinação. O advogado Matheus Mayer Milanez apresentou nesta quarta-feira (3) uma anotação pessoal de Heleno em que registrava a discordância, embora sem especificar a qual vacina se referia.
"Para o general, o presidente tinha de se vacinar. Isso estava em sua caderneta pessoal, era um pensamento do próprio general", afirmou Milanez, argumentando que o registro contradiz a narrativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que Heleno era um "grande aconselhador" de Bolsonaro .
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A estratégia da defesa buscou reforçar a tese de que Heleno estava distanciado de Bolsonaro, especialmente após o ex-presidente se aliar ao Centrão e se filiar ao PL. Milanez destacou que o general perdeu influência na cúpula do governo, citando depoimentos de testemunhas que confirmaram o afastamento progressivo . Além disso, a defesa criticou veementemente a atuação do ministro relator Alexandre de Moraes, classificando-o como "juiz inquisidor" por supostamente substituir o papel do Ministério Público na produção de provas e por investigar testemunhas além dos autos .
Em contraponto, a PGR manteve o pedido de condenação, alegando que Heleno integrava o "núcleo crucial" da organização criminosa que planejou um golpe de Estado. O procurador Paulo Gustavo Gonet Branco citou anotações manuscritas do general em uma agenda apreendida, que continham indícios de planejamento golpista, e declarou que Heleno "efetivamente direcionou o aparato estatal em torno de suas concepções antidemocráticas" . Gonet também mencionou declarações públicas do general, como a frase "ladrão não sobe a rampa", proferida durante a CPMI do 8 de Janeiro, como evidência de sua inclinação antidemocrática .
O julgamento, que segue na Primeira Turma do STF, deve ter os votos dos ministros apresentados na próxima semana. Heleno responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e dano qualificado, com penas que podem chegar a 12 anos de prisão . A defesa insiste na ausência de provas concretas e na violação do sistema acusatório, enquanto a PGR defende que as evidências são suficientes para a condenação