31 de julho de 2025
julgamento no stf

Defesa de Augusto Heleno expõe anotação que indica divergência sobre vacina com Bolsonaro

Advogado cita anotações pessoais do general para contestar acusações de envolvimento no núcleo golpista; PGR mantém pedido de condenação por crimes contra a democracia

Por Redação
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Matheus Milanez, advogado do general Augusto Heleno - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), revelou durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) uma divergência entre o militar e o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a vacinação. O advogado Matheus Mayer Milanez apresentou nesta quarta-feira (3) uma anotação pessoal de Heleno em que registrava a discordância, embora sem especificar a qual vacina se referia.

"Para o general, o presidente tinha de se vacinar. Isso estava em sua caderneta pessoal, era um pensamento do próprio general", afirmou Milanez, argumentando que o registro contradiz a narrativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que Heleno era um "grande aconselhador" de Bolsonaro .

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A estratégia da defesa buscou reforçar a tese de que Heleno estava distanciado de Bolsonaro, especialmente após o ex-presidente se aliar ao Centrão e se filiar ao PL. Milanez destacou que o general perdeu influência na cúpula do governo, citando depoimentos de testemunhas que confirmaram o afastamento progressivo . Além disso, a defesa criticou veementemente a atuação do ministro relator Alexandre de Moraes, classificando-o como "juiz inquisidor" por supostamente substituir o papel do Ministério Público na produção de provas e por investigar testemunhas além dos autos .

Em contraponto, a PGR manteve o pedido de condenação, alegando que Heleno integrava o "núcleo crucial" da organização criminosa que planejou um golpe de Estado. O procurador Paulo Gustavo Gonet Branco citou anotações manuscritas do general em uma agenda apreendida, que continham indícios de planejamento golpista, e declarou que Heleno "efetivamente direcionou o aparato estatal em torno de suas concepções antidemocráticas" . Gonet também mencionou declarações públicas do general, como a frase "ladrão não sobe a rampa", proferida durante a CPMI do 8 de Janeiro, como evidência de sua inclinação antidemocrática .

O julgamento, que segue na Primeira Turma do STF, deve ter os votos dos ministros apresentados na próxima semana. Heleno responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e dano qualificado, com penas que podem chegar a 12 anos de prisão . A defesa insiste na ausência de provas concretas e na violação do sistema acusatório, enquanto a PGR defende que as evidências são suficientes para a condenação