31 de julho de 2025

Ex-assessor de Moraes acusa gabinete do STF de fraudar relatórios em operação contra empresários

Eduardo Tagliaferro depôs em comissão do Senado presidida por Flávio Bolsonaro e afirmou que documentos que embasaram operação da PF em 2022 foram produzidos após a ação. Ele próprio é alvo de denúncia do PGR

Por Redação
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Ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro em pronunciamento via videoconferência - Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Em um depoimento de alto impacto político, o ex-assessor do ministro Alexandre de MoraesEduardo Tagliaferro, afirmou à Comissão de Segurança Pública do Senado nesta terça-feira (2/9) que o gabinete do magistrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fraudou relatórios para justificar uma operação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas em agosto de 2022. A sessão, presidida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ocorreu simultaneamente ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF.

Tagliaferro, que era chefe de gabinete na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, declarou que a operação que mirou empresários como Luciano Hang (Havan) e José Koury (Barra World Shopping) se baseou inteiramente em uma reportagem do Metrópoles e que os relatórios que deveriam embasar legalmente a ação foram produzidos posteriormente – entre 26 e 28 de agosto –, e não em 22 de agosto como consta oficialmente no processo.

"A busca e apreensão foi realizada em 23 de agosto. Porém, se os senhores observarem, os relatórios e todo o material que a mim foi passado para montar aquela farsa, são dos dias 26, 27 e 28 de agosto", acusou Tagliaferro, apresentando prints de mapas mentais que disse ter produzido a pedido do juiz auxiliar Airton Vieira, sem o conhecimento de Moraes.

O depoimento ocorre em um contexto altamente polarizado. Tagliaferro, que já foi denunciado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, por suposto vazamento de mensagens sigilosas do gabinete de Moraes, é alvo de processos por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Suas alegações são avidamente aproveitadas pela oposição bolsonarista, que as utiliza para questionar a legalidade das investigações coordenadas pelo ministro do STF.