Metanol de combustível adulterado pode ter sido usado em bebidas, aponta associação
De acordo com o governo de São Paulo, desde junho foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol ligados a bebidas adulteradas, com três mortes registradas
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O metanol importado por organizações criminosas para adulterar combustíveis pode ter sido um dos responsáveis pelos recentes casos de intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas no estado de São Paulo. A avaliação é de Rodolpho Ramazzini, diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), em entrevista à TV Brasil. Segundo ele, após a Operação Carbono Oculto – que desmantelou um grande esquema de fraude em combustíveis no final de agosto –, o produto teria sido redirecionado para destilarias clandestinas.
“Os tanques que não estavam dentro dos pátios dessas empresas [atingidas pela operação] começam a ser desovados. Eles começam a vender isso para empresa química, começam a vender isso também para destilarias clandestinas”, afirmou Ramazzini, destacando que os criminosos “não estão nem aí com a saúde de ninguém”.
De acordo com o governo de São Paulo, desde junho foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol ligados a bebidas adulteradas, com três mortes registradas. Outros dez casos seguem em investigação. A Operação Carbono Oculto, da Receita Federal, identificou que o metanol importado com outras finalidades era desviado para adulterar gasolina. O setor de bebidas lidera as perdas com o mercado ilegal, com estimativa de R$ 88 bilhões em prejuízos em 2024.
O Centro de Vigilância Sanitária recomenda que estabelecimentos verifiquem a procedência das bebidas e que a população consuma apenas produtos de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre e selo fiscal.