31 de julho de 2025
ESTUDO

Fiocruz revela que chikungunya pode deixar sequelas crônicas em crianças e adolescentes

Estudo de 4 anos com 348 jovens na Bahia mostra que 12% desenvolveram dores articulares persistentes; maioria das infecções foi sintomática

Por Redação
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A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo Aedes aegypti - Foto: Frame EBC

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizado durante quatro anos em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, revelou que a infecção por chikungunya pode deixar sequelas crônicas em crianças e adolescentes. A pesquisa acompanhou 348 participantes entre 2 e 17 anos e constatou que a maioria das infecções foi sintomática, com casos de dores articulares que persistiram por meses após o contágio.

O trabalho, coordenado pela pesquisadora Viviane Boaventura da Fiocruz Bahia, integrou um ensaio clínico da vacina Butantan-Dengue e monitorou os jovens através de coletas sanguíneas periódicas e consultas médicas regulares. As amostras foram analisadas com testes de RT-PCR, sorologia e ensaio de neutralização viral para detectar a presença do vírus e a resposta imune dos participantes.

Dos 311 participantes que completaram o acompanhamento, 17% testaram positivo para chikungunya, sendo que 9,4% não apresentaram sintomas. Entre os casos sintomáticos, 12% desenvolveram artralgia crônica - dores articulares que persistiram por meses e chegaram a impedir a realização de atividades diárias. A pesquisa também identificou que 84% dos infectados desenvolveram anticorpos após a infecção, mas uma parcela significativa não apresentou resposta imunológica detectável.

O estudo alerta que, mesmo durante surtos locais da doença, apenas 20% dos jovens foram expostos ao vírus, indicando a necessidade de estratégias de prevenção mais eficazes para proteger a população pediátrica contra as consequências de longo prazo da chikungunya.