31 de julho de 2025

5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres inicia em Brasília com críticas a retrocessos e defesa de novas conquistas

Presidente Lula e ministra Márcia Lopes destacam retomada de políticas de gênero; ex-presidente Dilma Rousseff participa por videoconferência e recorda impeachment como "golpe contra as mulheres"

Por Redação
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Lula disse que autoritarismo teme as mulheres - Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Iniciou nesta segunda-feira (29) em Brasília a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), marcando a retomada do principal espaço de debate sobre igualdade de gênero após nove anos. Sob o tema "Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas", o evento reúne lideranças sociais e políticas até quarta-feira (1º/10) para construção coletiva de políticas públicas.

Discurso de retomada e resistência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu os trabalhos destacando a trajetória de conquistas desde a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres em 2003 até medidas recentes como a Lei da Igualdade Salarial e o programa Dignidade Menstrual. Em discurso contundente, Lula classificou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como "golpe contra as mulheres": "O autoritarismo não apenas odeia, ele teme as mulheres", afirmou.

Por videoconferência, Dilma Rousseff - atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS - lembrou que a edição anterior da conferência, em 2016, foi seu último ato oficial antes do afastamento: "Superamos um período de retrocessos e ataques às conquistas democráticas. A história mostrou que resistir vale a pena". A ex-presidente enfatizou que "a igualdade de gênero é condição para que o Brasil seja justo, forte e verdadeiramente soberano".

Processo democrático e representatividade

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou que a conferência representa "um espaço de reencontro, reconstrução e afirmação" após anos de retrocessos. Representantes de movimentos sociais, como Josy Kaigang da Marcha das Mulheres Indígenas e Iayalorixá Sandrali Bueno do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, destacaram o caráter democrático da construção do evento, que passou por etapas municipais, estaduais e regionais desde abril.

A conferência estabelece as diretrizes para a atualização do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, com debates focados no enfrentamento às desigualdades, fortalecimento da participação política feminina, combate à violência de gênero e promoção da autonomia econômica das mulheres.