31 de julho de 2025
repercussão

Policial que atirou em entregador é preso e afastado das funções no Rio

José Rodrigo da Silva Ferrarini foi afastado por 90 dias e detido preventivamente após disparar contra o pé de entregador que se recusou a subir até seu apartamento; caso foi filmado e viralizou

Por Redação
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Crime foi filmado por Valério e circulou nas redes sociais - Foto: Reprodução/Redes sociais

O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini foi preso e afastado das funções por 90 dias após atirar no pé do entregador Valério de Souza Junior em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. O crime ocorreu na madrugada de sábado (30) quando o entregador se recusou a levar o pedido de comida até o andar onde o agente morava – prática que não é obrigatória conforme os termos de serviço.

O caso, registrado em vídeo pelo próprio entregador e que viralizou nas redes sociais, mostra o momento em que Ferrarini dispara contra o pé de Valério. A vítima precisou de atendimento médico de urgência no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e registrou ocorrência na 32ª Delegacia de Polícia. Após investigação que incluiu coleta de depoimentos e apreensão da arma, a Justiça decretou a prisão preventiva do agente penitenciário.

Em nota, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) informou que "repudia com veemência a conduta abominante atribuída ao servidor" e abriu processo administrativo disciplinar contra Ferrarini, que foi levado para o presídio Constantino Cokotós em Niterói, unidade destinada a policiais presos. O agente havia se entregado à polícia no domingo (31) após negociação com os agentes.

O iFood, plataforma pela qual Valério realizava a entrega, emitiu nota afirmando que "não tolera qualquer tipo de violência contra entregadores parceiros" e que disponibilizará apoio jurídico e psicológico à vítima através da organização de advogadas negras Black Sisters in Law. A empresa reforçou que a obrigação do entregador é deixar o pedido no primeiro ponto de contato, seja portão ou portaria, e que aplica sanções a clientes que descumprirem as regras – incluindo banimento da plataforma.

Valério, que se manifestou nas redes sociais, agradeceu as correntes de solidariedade e pediu que as pessoas parassem de hostilizar outros moradores do prédio, informando que o agressor já deixou o imóvel alugado. Este não é um caso isolado: em março de 2024, outro entregador foi baleado por um PM em Vila Valqueire, e em 2023 um entregador foi atacado com coleira de cachorro em São Conrado, evidenciando um padrão de violência contra trabalhadores de delivery no Rio de Janeiro.