Governo federal anuncia R$ 1,6 bilhão para saúde em Minas Gerais e Espírito Santo pelo Novo Acordo do Rio Doce
A União ficou responsável por aplicar R$ 49,08 bilhões através de um fundo gerido pelo BNDES
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O governo federal anunciou nesta sexta-feira (26) investimentos de R$ 1,6 bilhão para a construção de 104 serviços de saúde em 48 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, ligados ao Novo Acordo do Rio Doce. Os recursos são provenientes do Fundo Rio Doce, constituído por repasses das mineradoras responsáveis pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015.
O acordo, assinado em outubro de 2024, garantiu R$ 100 bilhões em recursos que serão pagos pelas empresas em até 20 anos, destinados à reparação da população e do meio ambiente. A União ficou responsável por aplicar R$ 49,08 bilhões através de um fundo gerido pelo BNDES.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a complexidade do processo e afirmou que o novo acordo é “excepcional”, resultado de negociações longas e intensas para atender às reivindicações da população afetada.
Do total reservado para a saúde, quase R$ 12 bilhões serão aplicados em construção e custeio de unidades de atendimento. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, R$ 3,6 bilhões serão executados nos próximos anos, enquanto R$ 9 bilhões permanecerão no fundo para garantir recursos permanentes, permitindo manutenção de hospitais, contratação de profissionais e aquisição de insumos e medicamentos.
“Na saúde, construir um prédio é importante, mas o difícil é manter o funcionamento. Esses R$ 9 bilhões são uma garantia para as gerações atuais e futuras”, afirmou Padilha, destacando que o SUS será o gestor principal dos recursos, substituindo a Fundação Renova, criada em 2016 e criticada por falhas na reparação.
Tragédia de Mariana
O rompimento da barragem de Fundão, administrada pela Samarco (Vale e BHP Billiton), destruiu o distrito de Bento Rodrigues, matou 19 pessoas, deixou três desaparecidas e 600 desabrigadas. Cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos atingiram 49 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, percorrendo 663 quilômetros até o litoral capixaba.
O Novo Acordo do Rio Doce marca um novo capítulo no processo de reparação, com foco em infraestrutura, saúde e suporte contínuo à população afetada, substituindo o modelo anterior gerido pela Fundação Renova e buscando maior eficiência e controle social.