31 de julho de 2025
PALESTINA

Centro de imprensa em Gaza é bombardeado após videoconferência com jornalistas brasileiros

Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) relata ataque israelense a tenda que abrigava profissionais meia hora após encontro virtual

Por Redação
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Profissionais escaparam com vida de ataque israelense. - Foto: Sindicato dos Jornalistas da Palestina/Divulgação

Um grupo de pelo menos 20 jornalistas palestinos na Cidade de Gaza foi alvo de um bombardeio realizado por forças israelenses na tarde desta quinta-feira (25). O ataque atingiu uma tenda que funcionava como Centro de Solidariedade de Jornalistas, poucos minutos após os profissionais participarem de uma videoconferência com repórteres brasileiros, organizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), pelo Sindicato dos Jornalistas da Palestina e pela Embaixada da Palestina no Brasil. De acordo com a Fenaj, que divulgou a informação por meio da embaixada, os jornalistas conseguiram escapar com vida.

O encontro virtual teve como objetivo dar voz aos profissionais que atuam sob fogo constante na Faixa de Gaza. Participaram da reunião os líderes sindicais Naser Abu Baker e Tahseen al Astal, além de nove outros jornalistas locais. Eles apresentaram dados alarmantes: desde o início da ofensiva israelense em outubro de 2023, 252 dos cerca de 1.600 jornalistas registrados em Gaza foram mortos. Outros 400 ficaram feridos, aproximadamente 200 estão presos e ao menos 600 familiares desses profissionais também foram mortos no conflito.

A jornalista freelancer Fidaa Asaliya, que estava no local bombardeado, declarou durante a videoconferência que os profissionais palestinos pagam com a vida por transmitirem a verdade. "A ocupação não faz distinção entre um jornalista, um cidadão ou um membro da resistência", afirmou. Os relatos detalham uma realidade de deslocamentos forçados e perda de moradias. Samir Khalifa, outro jornalista, contou que já se mudou 18 vezes em 23 meses para fugir dos ataques. O sindicato local informou que 647 imóveis de jornalistas foram destruídos.

A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, lamentou profundamente o incidente e sugerou que Israel pode ter monitorado a transmissão. "Israel possa ter monitorado a reunião e tenha agido logo depois para silenciar mais vozes em sua cruzada genocida e de limpeza étnica", disse. A reunião conectou brasileiros com grupos de jornalistas instalados em tendas em Khan Yunis, no sul, e na Cidade de Gaza, ao norte.

O ataque foi repudiado por comitês da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que emitiram uma nota classificando o episódio como uma confirmação de que Israel "monitora e persegue jornalistas com o objetivo de silenciar vozes que denunciam o genocídio em curso". Os comitês exigiram da ONU e da comunidade internacional "medidas urgentes e concretas para cessar os crimes de guerra cometidos por Israel". A Agência Brasil entrou em contato com a Embaixada de Israel para um posicionamento e aguarda retorno.

O contexto do conflito remonta ao ataque do grupo Hamas a Israel em outubro de 2023, que resultou em cerca de 1,2 mil mortos e 220 reféns. Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva massiva em Gaza que, segundo fontes locais, já causou mais de 60 mil vítimas e uma crise humanitária severa, com a destruição de infraestrutura essencial e um bloqueio que dificulta a entrada de ajuda. O tema foi central na Assembleia Geral da ONU desta semana, com nações como Reino Unido, França, Canadá e Austrália anunciando o reconhecimento oficial do Estado palestino, uma posição que o Brasil já adota desde 1967 em apoio à solução de dois Estados. No entanto, o governo israelense reafirmou recentemente que não aceitará a criação de um Estado palestino.