31 de julho de 2025

Relator de projeto de redução de penas afirma que Bolsonaro será beneficiado, mas terá pena maior que apoiadores

Em reunião com bancada do PT, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) adiantou que texto final será apresentado na segunda-feira (29)

Por Redação
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O deputado federal Paulinho da Força. - Foto: Arquivo/Câmara dos Deputados

O relator da proposta que trata da dosimetria de penas para condenados por crimes de tentativa de golpe de Estado, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou em reunião com a bancada do PT nesta quarta-feira (24) que o projeto beneficiará o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas com ressalvas. “Será uma redução de penas para mandar essa turma para casa. Se me perguntar: ‘Reduz o Bolsonaro?’, reduz também. Não tem como tirar ele do relatório. Quem está em posição de mando e financiadores [do golpe] terá uma pena maior”, declarou o parlamentar.

O relator se comprometeu a apresentar uma prévia do parecer na próxima segunda-feira (29). O texto original, defendido pela bancada do PL, previa anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de 2022, mas Paulinho da Força optou por redirecionar a proposta para focar apenas na redução do tempo de prisão.

Governo Lula mantém oposição à proposta

A posição do Governo Lula segue contrária a qualquer tipo de anistia ou redução de pena. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reafirmou na terça-feira (23) que a administração federal é contra a medida. “Nós somos contra a anistia, votamos contra o requerimento de urgência. Se tiver um projeto, votaremos contra, assim como o projeto de redução de penas”, declarou.

A conversa de Gleisi com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reforçou a intenção do Planalto de não interferir em processos judiciais em andamento no STF – onde Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão.

Durante a reunião com o PT, Paulinho da Força defendeu o fim da polarização e a “pacificação” na política. Apesar de elogios de alguns deputados, como Rubens Pereira Júnior (MA), o líder da bancada, Lindbergh Farias (RJ), demonstrou ceticismo em relação ao sucesso da proposta.

A tramitação do projeto deve seguir como um termômetro da capacidade de articulação do governo e da oposição em meio a um tema de alta sensibilidade política.