Trabalho infantil atinge maior nível histórico entre crianças de 5 a 9 anos no Brasil
Dados do IBGE mostram que 122 mil crianças nesta faixa etária estavam em situação de trabalho infantil em 2024, representando 7,39% do total
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O Brasil registrou em 2024 o maior percentual da série histórica de trabalho infantil entre crianças de 5 a 9 anos, com 122 mil casos que representam 7,39% dessa população. Os dados do IBGE, divulgados na última sexta-feira (19), revelam um aumento de 22% em relação a 2023, quando eram 100 mil crianças nessa situação. A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal classificou o cenário como "inaceitável", destacando que a proporção supera os 6,97% registrados em 2022 e os 5,24% de 2016.
Para Mariana Luz, CEO da fundação, o trabalho infantil nesta faixa etária nega o direito fundamental à infância. "Quando crianças de 5 a 9 anos trabalham, estamos comprometendo seu futuro, reforçando desigualdades raciais e perpetuando um ciclo de exclusão", afirmou. Ela ressaltou que crianças pretas e pardas, que são 66% da população dessa idade, representam 67,8% das vítimas, evidenciando falhas estruturais relacionadas à pobreza e ao racismo.
Embora o trabalho infantil na Lista TIP (piores formas) tenha caído 39% desde 2016, chegando a 560 mil casos em 2024, o Brasil ainda não cumpriu a meta da ONU de erradicar a prática até 2025. Especialistas defendem políticas públicas mais efetivas, como a expansão do ensino integral, especialmente em períodos de férias escolares quando o problema se agrava. O Bolsa Família tem contribuído para reduzir a desigualdade: a diferença entre beneficiários e a média nacional caiu de 2,1 para 0,9 ponto percentual desde 2016.