Lula cita condenação de Bolsonaro em discurso na ONU e defende que "não há pacificação com impunidade"
Em abertura da Assembleia Geral, presidente brasileiro criticou sanções unilaterais sem mencionar EUA e atacou "falsos patriotas" que agem contra o país
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a abertura do debate geral da 80ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23). Em seu discurso, Lula afirmou que "falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil" e defendeu que "não há pacificação com impunidade". Ele ressaltou que, pela primeira vez em 525 anos de história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito, em referência ao processo contra Bolsonaro.
Lula destacou que o processo seguiu todos os trâmites legais, com amplo direito de defesa, e enviou um recado "a todos os candidatos a autocratas": "Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis". O discurso ocorre em um momento de fortes tensões diplomáticas com os Estados Unidos, que impuseram novas sanções a autoridades brasileiras na segunda-feira (22). Sem citar diretamente os EUA, Lula criticou "medidas unilaterais e arbitrárias" contra as instituições brasileiras, classificando-as como "ingerência inaceitável" apoiada por uma "extrema-direita subserviente".
Além do tema democrático, o presidente defendeu a regulação das redes sociais, afirmando que críticas a propostas de controle buscam "encobrir interesses escusos". A fala de Lula mantém a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU, que reúne líderes dos 193 Estados-membros até o dia 24 de setembro, em Nova York.