31 de julho de 2025
ISRAEL E PALESTINA

Lula defende criação do Estado Palestino em conferência da ONU e condena ações em Gaza

Em discurso nos Estados Unidos, presidente brasileiro reforçou apoio à solução de dois Estados, com fronteiras de 1967 e Jerusalém Oriental como capital palestina, classificando o conflito como um "símbolo dos obstáculos do multilateralismo"

Por Redação
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Presidente diz que direito de defesa não autoriza matança de civis - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu de forma enfática, nesta segunda-feira (22), a implementação da solução de dois Estados – Palestina e Israel – como único caminho para a paz no Oriente Médio. Participando de uma conferência internacional de alto nível em Nova York, convocada por França e Arábia Saudita, Lula afirmou que os eventos em Gaza representam não apenas o extermínio de um povo, mas a tentativa de aniquilar seu sonho de constituir uma nação. “Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir”, declarou.

Em sua fala, durante a Segunda Sessão da Conferência Internacional para a Resolução Pacífica da Questão Palestina, o presidente detalhou a posição oficial do governo brasileiro. De acordo com Lula, a estabilidade na região depende da criação de um Estado Palestino "independente e viável", que coexista com Israel dentro das fronteiras definidas antes da guerra de 1967. Isso inclui a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital. A conferência é um evento preparatório para a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Lula fez uma retrospectiva histórica, lembrando que a questão palestina surgiu há 78 anos com o Plano de Partilha da ONU, que previa a criação de dois Estados. No entanto, apenas Israel se materializou. Ele criticou a paralisia da comunidade internacional, afirmando que o conflito é um "símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo" e citou que "a tirania do veto sabota a própria razão de ser da ONU". Como proposta concreta, o Brasil apoia a criação de um órgão inspirado no antigo Comitê Especial contra o Apartheid, para pressionar pelo fim do conflito.

Ao mesmo tempo que defendeu a autodeterminação palestina, o presidente brasileiro reiterou a condenação aos atos cometidos pelo Hamas. No entanto, Lula ressaltou que o direito à legítima defesa não autoriza a escalada de violência que tem sido observada. “Nada justifica tirar a vida ou mutilar mais de 50 mil crianças, destruir 90% dos lares palestinos e usar a fome como arma de guerra”, argumentou, em uma referência clara às ações militares israelenses em Gaza.