31 de julho de 2025
evolução

PCC: de facção prisional a máfia global com 40 mil membros e US$ 1 bi em faturamento

Assassinato de ex-delegado que prendeu líder histórico expõe poderio da organização que atua em 28 países e infiltra o poder público

Por Redação
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O PCC surgiu há mais de 30 anos em uma prisão, com 5 mil criminosos - Foto: Arquivo/Agência Brasil

O Primeiro Comando da Capital (PCC) consolidou-se como uma máfia global três décadas após seu surgimento no sistema prisional paulista. Com aproximadamente 40 mil membros espalhados por 28 países, a organização criminosa movimenta mais de US$ 1 bilhão anuais com tráfico internacional de drogas, segundo dados do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes - que prendeu o líder Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola) em 1999 - evidenciou a capacidade operacional do grupo mesmo contra alvos de alto perfil.

A expansão internacional do PCC iniciou-se em 2016 com rotas de cocaína para Europa, tendo atualmente 2.078 integrantes no exterior. O Paraguai concentra a maior presença (699 membros), seguido por países europeus como Espanha, França, Holanda e Irlanda. Promotores do Ministério Público paulista alertam que a organização adotou características de máfia italiana, infiltrando-se em licitações públicas e criando estruturas de lavagem de dinheiro sofisticadas.

"O PCC passou de facção prisional para organização transnacional em duas décadas, com crescimento facilitado por falhas estatais no controle penitenciário e no reconhecimento inicial da ameaça", afirmou um promotor do Gaeco sob anonimato. O grupo somente foi classificado como preocupação federal em 2019, durante a gestão do então ministro Sérgio Moro, que sofreu ameaças de morte após determinar a transferência de líderes para presídios de segurança máxima.

O governo de São Paulo destacou operações recentes que resultaram na apreensão de R$ 62 milhões em bens e na identificação de R$ 21 bilhões em movimentações ilícitas. Entretanto, especialistas apontam que a estrutura financeira do PCC - com receitas equivalentes a grandes corporações - mantém sua capacidade de recrutamento e expansão territorial, representando um desafio complexo para as políticas de segurança pública no Brasil e no exterior.