Viagens em jatinhos de empresa suspeita de ligação com o PCC custaram ao governo Paulo Dantas de R$ 77 mil até quase meio milhão de reais
Dados estão no Portal da Transparência; Taxi Aéreo Piracicaba (TAP), investigada na operação contra lavagem de dinheiro do PCC, recebeu mais de R$ 17 milhões do estado
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O governo Paulo Dantas (MDB) efetuou um pagamento de R$ 450.368,84 à empresa Taxi Aéreo Piracicaba LTDA (TAP), alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O valor, referente a apenas um deslocamento do governador em abril de 2025, é o maior já registrado em um único empenho para a empresa, que possui contratos milionários com o estado.
De acordo com dados do Portal da Transparência de Alagoas, a TAP já recebeu mais de R$ 17 milhões do governo estadual. Desse total, R$ 16.076.836,26 foram pagos diretamente pelo Gabinete Civil para viagens realizadas pelo governador Paulo Dantas e outros integrantes de sua equipe. Outros R$ 1.694.566,97 foram liquidados pelo Departamento Estadual de Aviação, que ainda possui uma dívida de aproximadamente R$ 432 mil com a empresa.

As viagens custeadas com valores elevadíssimos são uma constante. Os pagamentos para a TAP, que variam de R$ 77.250,00 a quase meio milhão de reais, são majoritariamente para deslocamentos de Paulo Dantas nos trechos entre Maceió, Brasília e São Paulo. Um dos últimos pagamentos, de R$ 394.293,05, foi realizado em 10 de maio de 2025 para uma simples viagem de ida de Maceió a São Paulo.

A relação do governo com a empresa ganhou contornos de crise após uma reportagem do ICL Notícias e UOL revelar que a TAP possui ligações com pessoas e fundos de investimento alvo da operação da PF. Entre os nomes estão Mohamad Hussein Mourad ("Primo") e Roberto Augusto Leme da Silva ("Beto Louco"), apontados como líderes do esquema, e o advogado Rogério Garcia Peres, controlador da gestora Altinvest, investigada por suposta participação nas dinâmicas fraudulentas.
Enquanto a Altinvest e Peres negaram qualquer relação com o caso por meio de nota, a defesa de "Primo" optou por não se manifestar. O caso coloca sob escrutínio os gastos milionários com transporte aéreo do governo de Alagoas e suas relações contratuais com uma empresa citada em uma das maiores investigações sobre crime organizado do país.
Os contratos entre a TAP e o Governo de Alagoas foram revelados em primeira mão pela Francês News neste final de semana.