Paraíba registra 21 feminicídios em oito meses, com casos distribuídos em 16 cidades
Pesquisadora aponta machismo e discursos de ódio como fatores culturais que perpetuam a violência; estado mantém média de 2 assassinatos por mês
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De janeiro a agosto de 2025, a Paraíba registrou 21 feminicídios, ultrapassando o total do primeiro semestre e mantendo uma média alarmante de dois assassinatos mensais motivados pela condição de gênero. Os casos ocorreram em 16 municípios, incluindo João Pessoa, Campina Grande, Patos e cidades do interior, evidenciando que a violência contra a mulher não se restringe a uma única região ou estrato social.
Para a pesquisadora Glória Rabay, especialista em estudos de gênero, a persistência desses números reflete fatores culturais profundos, como o machismo estrutural e a disseminação de discursos misóginos — intensificados nos últimos anos, especialmente nas redes sociais. Ela destaca que, embora mulheres negras, pobres e periféricas sejam as principais vítimas, o feminicídio atinge todas as classes sociais, assim como os agressores estão presentes em todos os segmentos da sociedade.
Legislação e desafios
Desde 2015, com a Lei nº 13.104, o feminicídio é considerado crime hediondo. Em 2024, a Lei 14.994 tornou-o autônomo e ampliou medidas de prevenção, estabelecendo penas de até 40 anos de prisão. Para Rabay, a tipificação foi um avanço crucial para nomear e visibilizar o problema, mas a solução definitiva depende de um amplo processo educativo envolvendo escolas, mídia, igrejas, famílias e empresas.
Em 2024, a Paraíba registrou 25 feminicídios — uma queda de 26,47% em relação a 2023 (34 casos). No entanto, os números seguem alarmantes. A maioria dos crimes foi cometida por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, com arma de fogo como principal meio.
Como denunciar
É fundamental reportar casos de violência através dos canais:
- ☎️ 197 (Polícia Civil)
- ☎️ 180 (Central da Mulher)
- ☎️ 190 (Polícia Militar, em emergências)