31 de julho de 2025
Pesquisa

Pesquisadores da UFPE comprovam eficácia de curativo pós-cirúrgico à base de cana-de-açúcar

Além de sustentável, o curativo é translúcido, permitindo que profissionais de saúde avaliem o estado da ferida sem precisar removê-lo

Por Redação
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Curativo feito à base de cana-de-açúcar mostrou-se eficaz no comparativo com o material sintético - Foto: Foto: Cortesia

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um curativo biológico sustentável, feito a partir da fermentação do melaço da cana-de-açúcar, que apresentou bons resultados no tratamento de feridas pós-operatórias em cirurgias de varizes.

O estudo, publicado na revista científica Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders (JVS-VL), testou o produto em 55 pacientes no Hospital das Clínicas da UFPE. A pesquisa foi realizada entre maio de 2023 e setembro de 2024.

O curativo, produzido com biocelulose bacteriana, foi comparado ao uso da fita microporosa, material sintético amplamente utilizado. Os dois métodos tiveram eficácia semelhante na cicatrização, mas o curativo de cana se destacou por causar menos dor na retirada e menos coceira, proporcionando maior conforto ao paciente.

 "O principal achado foi a menor dor na remoção, um alívio importante para quem já está fragilizado no pós-operatório", destacou o cirurgião vascular Allan Maia, um dos autores do estudo.

Além de sustentável, o curativo é translúcido, permitindo que profissionais de saúde avaliem o estado da ferida sem precisar removê-lo o que evita traumas, reduz o risco de infecções e pode baratear os custos do tratamento.

Segundo os pesquisadores, o produto é biodegradável, biocompatível e com potencial de produção em larga escala a baixo custo. A celulose bacteriana é obtida a partir da ação de bactérias sobre o melaço da cana, um resíduo da indústria sucroalcooleira.

Allan Maia explica que as incisões feitas nesse tipo de cirurgia são pequenas e não requerem pontos, mas ainda precisam de um curativo com boa aderência e que não provoque reações na pele. 

"A fita microporosa é muito usada, mas há queixas frequentes de coceira, dor e dermatite. A membrana biológica surgiu como uma alternativa ideal", afirma.

O curativo, batizado de PolyTissue® Derma-Aid, foi desenvolvido pela Polisa Biopolímeros para a Saúde, uma empresa incubada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Carpina. O produto aguarda aprovação da Anvisa para comercialização.

A Polisa já possui outros dois curativos registrados: PolyTissue® Uro – para cirurgias urológicas PolyTissue® Bio-Nail – para cobertura de unhas removidas 

"É um produto genuinamente pernambucano, feito com tecnologia limpa e desenvolvido dentro das universidades. Uma inovação que tem tudo para transformar o cuidado com a saúde", comemora Allan Maia.

O trabalho foi conduzido sob orientação do professor Esdras Marques (UFPE) e teve a participação da estudante de medicina Mariana Vieira, além de outros pesquisadores da UFPE e colaboradores.