31 de julho de 2025
em pernambuco

Caso Felca: Polícia prende hacker acusado de vazar dados da Polícia Federal

Homem de 26 anos é apontado como principal fonte de informações usadas por criminosos em fraudes em todo o Brasil; ele teria acessado chaves Pix e sistemas sigilosos do governo

Por Redação
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Suspeito foi preso em Pernambuco - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, na manhã desta terça-feira (16), um hacker de 26 anos acusado de ser a principal fonte de dados vazados de sistemas governamentais e de segurança, incluindo da Polícia Federal. Segundo as investigações, ele fornecia informações utilizadas por criminosos em fraudes em todo o país — inclusive para o homem que ameaçou o youtuber Felca, em agosto.

O suspeito, identificado pelo apelido de “Jota”, teria acessado bases de dados extremamente sensíveis, como sistemas de investigação da Polícia Federal, reconhecimento facial e controle de voos domésticos e internacionais. Ele também afirmava ter “dumpado” 239 milhões de chaves Pix, a partir de um arquivo de 460 GB obtido do sistema do Poder Judiciário.

De acordo com o delegado Eibert Moreira, o esquema funcionava em três camadas bem definidas:

  • Hackers: invadiam sistemas e coletavam dados;
  • Painelistas: compravam os dados e revendiam em grupos de Telegram, cobrando mensalidades;
  • Golpistas: adquiriam o acesso para aplicar fraudes em vítimas.

“Jota” cobrava R$ 1.000 por cliente para fornecer as informações. Já um dos painelistas, conhecido como “Menor”, oferecia acesso a bots por R$ 50 mensais, movimentando cerca de R$ 10 mil por mês apenas nesse esquema.

A prisão ocorreu na terceira fase da Operação Medici Umbra, batizada de “A Fonte”, que cumpriu três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. Mais de 50 policiais participaram da ação.

Segundo a investigação, os dados eram revendidos a intermediários que criavam plataformas clandestinas de consultas, abastecendo golpistas em diferentes estados. Em São Paulo, um dos presos aplicava diretamente os golpes; no Rio Grande do Norte, outro alvo desenvolveu um sistema de “puxadas” em grupos de WhatsApp.

O hacker detido também teria fornecido informações a criminosos investigados em fases anteriores da operação, incluindo o hacker conhecido como “Lammer, F4llen ou Lucifage”, preso em agosto em São Paulo. Ele é suspeito de liderar um grupo responsável por ameaçar o youtuber Felca, além de compartilhar arquivos de pedofilia e fazer apologia ao nazismo.