Violência política no Nepal deixa ao menos 72 mortos
Protestos anticorrupção foram os mais mortais em décadas; ex-juíza Sushila Karki se torna primeira mulher a liderar o país interinamente
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As autoridades do Nepal elevaram para 72 o número de mortos nos tumultos anticorrupção da semana passada, no surto mais mortal de violência política do país em décadas. De acordo com o ministério da saúde, as equipes de busca continuam a recuperar corpos de dentro de escritórios do governo, casas e outros edifícios que foram queimados durante os protestos, que levaram à renúncia do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli na última terça-feira (9).
Os protestos, liderados principalmente por jovens nepaleses, tomaram as ruas da capital e de outras cidades. Em resposta, as forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, alguns dos quais incendiaram edifícios estatais cruciais, incluindo o Supremo Tribunal, o parlamento, delegacias de polícia e residências de políticos. O porta-voz do ministério da saúde, Prakash Budathoki, confirmou que muitos corpos estão sendo descobertos nos escombros dos locais atacados. O número de feridos chega a 2.113, segundo os últimos dados.
Em meio à crise, a ex-juíza-chefe Sushila Karki assumiu como primeira-ministra interina, tornando-se a primeira mulher a liderar a nação do Himalaia. Ela foi empossada formalmente neste domingo (14) e tem a missão de conduzir o país até as novas eleições parlamentares, convocadas para 5 de março. Karki anunciou que o governo pagará uma compensação de 1 milhão de rúpias nepalesas (cerca de R$ 38 mil) para as famílias de cada vítima fatal e fornecerá tratamento gratuito para todos os feridos. A nova líder já começou a trabalhar em um prédio próximo ao incendiado escritório do primeiro-ministro, declarando que a prioridade agora é se envolver na reconstrução das estruturas destruídas.