31 de julho de 2025
em entrevista

Lula afirma não ter pressa para retaliar EUA, mas defende avanço do processo de reciprocidade

Presidente diz que medida busca acelerar negociações sobre tarifas americanas de 50% sobre produtos brasileiros

Por Redação
Publicado em
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que "não tem pressa" para aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, mas autorizou o avanço do processo como forma de pressionar por negociações sobre as tarifas de 50% impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros. Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, Lula explicou que a medida busca acelerar o diálogo comercial entre os países, atualmente estagnado.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) já iniciou o processo de notificação aos Estados Unidos sobre a possível retaliação brasileira, baseada na lei sancionada em abril que permite respostas a medidas unilaterais contra produtos nacionais. Lula destacou, no entanto, que prefere uma solução negociada: "Se você for tentar andar na forma que todas as leis exigem, vai demorar um ano. Nós temos que começar [...] mas eu não tenho pressa porque eu quero negociar".

As tarifas americanas afetam 35,6% das exportações brasileiras para os EUA e foram implementadas em duas etapas: inicialmente 10% em abril, e mais 40% em agosto, em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicaram big techs americanas e como resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro.

Lula reafirmou a disposição do Brasil para negociar "24 horas por dia", mas criticou a falta de abertura do lado americano. Ele revelou que as missões lideradas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) não conseguiram estabelecer diálogo com as autoridades norte-americanas. "Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta", brincou o presidente, acrescentando que não pretende telefonar para o colega americano sem sinais claros de abertura.

Em outro momento da entrevista, Lula comentou as operações contra lavagem de dinheiro do crime organizado na cadeia de combustíveis, classificando-as como "a operação mais importante da história" para chegar "ao andar de cima" do crime. Ele destacou a sofisticação do crime organizado, que atua "na política, no futebol, na Justiça" com operações internacionais. As investigações recentes bloquearam R$ 1,2 bilhão em bens suspeitos de ligação com facções criminosas.

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