31 de julho de 2025
decisão

Justiça dos EUA declara "tarifaço" de Trump ilegal, mas medida segue em vigor temporariamente

Tribunal de Apelações considera ilegal uso de lei de emergência para impor tarifas; governo Trump recorre e decisão é suspensa até análise da Suprema Corte

Por Redação
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Donald Trump - Foto: Daniel Torok/Official White House Photo

Um tribunal de apelações dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (29), que as tarifas impostas pelo governo do ex-presidente Donald Trump contra importações de diversos países – incluindo o Brasil – com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) são ilegais. A corte federal rejeitou a justificativa de que déficits comerciais constituem uma "emergência nacional", que é o requisito legal para acionar esse mecanismo.

A decisão confirma um veredito anterior do Tribunal de Comércio Internacional, que havia sido suspenso temporariamente para permitir novos argumentos. No entanto, o próprio tribunal de apelações suspendeu imediatamente a eficácia de sua própria decisão até o dia 14 de outubro. Este prazo foi concedido para dar tempo ao governo Trump de entrar com um recurso perante a Suprema Corte dos Estados Unidos, a instância máxima do judiciário americano.

Isso significa que, na prática, as tarifas com base na IEEPA não estão canceladas e permanecem em vigor pelo menos até que a Suprema Corte se pronuncie sobre aceitar o caso ou não. As sobretaxas sobre produtos brasileiros, que foram elevadas de 10% para 50% em agosto e estão em vigor desde 6 de setembro, se enquadram nessa categoria e, portanto, mantêm-se aplicadas por ora.

É crucial destacar que a decisão não afeta outras tarifas famosas impostas por Trump, como aquelas sobre importações de aço, alumínio, automóveis e peças automotivas. Essas medidas foram decretadas com base em outras leis, como a Lei de Expansão Comercial, e seguem intactas.

Em resposta, Donald Trump reagiu rapidamente em sua rede social, Truth Social, classificando a decisão como equivocada e de um tribunal "altamente partidário". Ele afirmou que a remoção das tarifas seria um "desastre total" para os EUA e declarou confiança de que a Suprema Corte reverterá a decisão, permitindo que o país continue a combater o que chama de "práticas comerciais injustas" de outras nações.