Chavoso da USP confronta CPI dos Pancadões em SP: "Crime está em todo lugar, inclusive nesta casa"
Ativista rebate criminalização do funk e aponta seletividade do Estado durante sessão tensa com vereador cassado Rubinho Nunes
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Em sessão tensa da CPI dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo, o sociólogo e ativista Thiago Torres, conhecido como Chavoso da USP, confrontou a narrativa de criminalização do funk e dos bailes de rua. Diante do presidente da comissão, vereador Rubinho Nunes - que teve mandato cassado por disseminar fake news em 2024 -, Chavoso declarou: "O crime está em todo lugar, inclusive dentro dessa casa". A fala foi resposta à insistência do parlamentar em associar o funk ao tráfico de drogas.
O ativista, representando vozes das favelas, rebateu veementemente as acusações: "Nenhuma facção criminosa participa da organização dos bailes". Ao recusar-se a ser induzido a respostas preconcebidas, afirmou: "Isso aqui não é inquisição". Questionado sobre o suposto conflito entre os bailes e o "pai de família que acorda às 5h", Chavoso contrapôs citando a violência estrutural: "O pai de família que acorda 5h para trabalhar tem que ser morto pela polícia?", referindo-se a casos como o do menino Ryan, de 4 anos, morto na Baixada Santista.
Chavoso destacou ainda a apropriação seletiva do funk, lembrando que o próprio Rubinho Nunes utilizou o gênero musical como jingle em sua campanha eleitoral de 2020. "Elites consomem funk 'embranquecido' em baladas e campanhas, enquanto o originário das periferias segue criminalizado", afirmou. Para o ativista, a CPI simboliza a luta contra o silêncio imposto às periferias, defendendo o funk como expressão legítima da juventude negra e pobre. O embate expôs a disputa entre a narrativa criminalizante de setores conservadores e a defesa da cultura periférica como direito à cidade e à expressão. Vereadoras como Keit Lima e Amanda Paschoal (PSOL) defenderam os depoentes durante a sessão.