31 de julho de 2025
SAÚDE

Pesquisadores identificam proteínas essenciais para o funcionamento saudável do coração

Estudo americano revela que moléculas RBPMS e RBPMS2 atuam em conjunto para regular processo genético crítico à saúde cardíaca; descoberta abre caminho para entender e tratar doenças cardiovasculares

Por Redação
Publicado em
Pesquisadores identificaram duas moléculas que atuam juntas para assegurar que o coração produza as proteínas certas e evite falhas no órgão - Foto: Imagem de Παῦλος por Pixabay

Pesquisadores do Instituto Maçônico de Pesquisa Médica (MMRI), nos Estados Unidos, identificaram duas proteínas fundamentais para o funcionamento normal do coração: RBPMS e RBPMS2. O estudo, publicado em 27 de agosto na revista Circulation Research, demonstra que essas moléculas trabalham em conjunto para proteger um processo genético conhecido como splicing, responsável por “editar” o RNA e garantir que as células cardíacas produzam as proteínas corretas no momento adequado.

O que é splicing e por que é vital para o coração?

O splicing é um mecanismo essencial que reorganiza ou remove partes do RNA, permitindo que um mesmo gene gere múltiplas versões de proteínas. No coração, esse processo garante a produção de proteínas necessárias para contrações e relaxamentos adequados. Falhas nesse sistema estão associadas a condições como miocardiopatias e cardiopatias congênitas.

Metodologia e descoberta principal

Utilizando modelos genéticos modernos, a equipe liderada pelo professor Tongbin Wu removeu simultaneamente as proteínas RBPMS e RBPMS2 de células do músculo cardíaco em embriões. Como resultado, os embriões não sobreviveram, e os corações apresentaram defeitos estruturais graves, incapazes de sustentar contrações normais.

Quando apenas uma das proteínas foi removida, não houve comprometimento significativo na formação ou função cardíaca. Isso indica que as duas moléculas atuam de forma sinérgica e complementar, garantindo a precisão do splicing e a produção adequada de proteínas cardíacas.

Relevância para doenças humanas

A descoberta reforça que alterações no splicing — muitas vezes causadas por disfunções em proteínas reguladoras como RBPMS e RBPMS2 — estão na base de diversas cardiopatias. Segundo o professor Wu, a pesquisa ajuda a explicar por que mutações em fatores de splicing podem levar a doenças congênitas e adquiridas, abrindo portas para futuros estudos sobre prevenção e tratamento de condições cardíacas.

Este avanço representa um passo importante na compreensão dos mecanismos moleculares que mantêm a saúde cardiovascular e pode, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de terapias genéticas ou farmacológicas direcionadas.